Pesquisa em 8 mil lares do país mostra que metade dos casos de agressão está ligada ao consumo de bebidas

6 Outubro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Álcool e Tabaco


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Paloma Oliveto -Correio Braziliense

 

“Meu marido é ótimo, mas quando bebe vira outra pessoa”. A frase é velha conhecida de quem trabalha com mulheres vítimas de violência doméstica. Frequente na literatura médica, a combinação álcool e agressão foi constatada estatisticamente em uma dissertação de mestrado inédita da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O psicólogo Arilton Martins Fonseca pesquisou 7.939 domicílios brasileiros em 108 cidades com mais de 200 mil habitantes, incluindo o Distrito Federal. A conclusão: em 34,9% dos lares foram constatados casos de agressão, sendo que na metade dos casos, houve envolvimento de bebida. “À medida que rebaixa o senso crítico, o álcool potencializa a agressividade”, diz Fonseca. A pesquisa provou que o estado de embriaguez não só favorece mais a ocorrência de atos violentos dentro de casa, como faz com que eles se repitam com maior frequência. Nas casas onde houve registros de agressão contra a mulher quando o homem estava sóbrio, o número de episódios foi menor (veja quadro). “A diferença no tempo da duração da violência é gigante e foi um dos fatores que mais me chamaram a atenção”, afirma o psicólogo.

 

Porém, ele deixa claro que a culpa da violência doméstica não é da bebida simplesmente. “Esse comportamento é inerente ao agressor.” A mesma opinião tem a subsecretária da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Aparecida Gonçalves. Segundo ela, se o álcool fosse o responsável pela violência, o agressor bateria em qualquer pessoa. No entanto, ele foca a violência na mulher e nos filhos.

 

De acordo com o autor do estudo, o álcool é uma droga bifásica. A princípio, causa desinibição, que vem seguida pela depressão do sistema nervoso central. Nesta segunda etapa, a pessoa alcoolizada fica sonolenta e com os reflexos lentos. “O homem aproveita a primeira fase, quando está menos crítico e mais desinibido, para resolver de forma violenta coisas que estão engasgadas. Na verdade, ele usa o álcool como desculpa”, diz. O pior é que a maioria das vítimas aceita a desculpa. “A tendência da mulher é minimizar a agressão por causa da bebida. Quando existe o álcool, está presente o mecanismo do perdão”, constata.

 

Fonte: O Diário de Pernambuco


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