Comunidade pede e traficantes deixam de vender crack no RS

3 Dezembro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Cultura das Drogas


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Victor Grinbaum

SANTA CRUZ DO SUL - Um acordo inusitado promete atenuar os males provocados pelo consumo de drogas num bairro da cidade de Santa Cruz do Sul, a 150 km de Porto Alegre. Após uma reunião entre traficantes de drogas e representantes da associação dos moradores da localidade de Bom Jesus, ficou decido que a venda de crack será suspensa nas bocas de fumo a partir do próximo dia 10.

A reunião ocorreu na tarde da última sexta-feira e os detalhes do encontro começaram a chegar à imprensa nesta semana, por meio de telefonemas anônimos. Segundo tais relatos, traficantes teriam demonstrado preocupação diante do desgaste da própria imagem, tendo em vista os problemas causados pelo crack no bairro, como os danos à saúde dos usuários e a incidência de furtos. Pela determinação, o consumo do tóxico em público também se tornaria passível de retaliações.

Procurado para comentar o assunto, o presidente da Associação de Moradores do Bairro Bom Jesus, Clairton Ferreira, o Tim, confirmou ter participado do encontro. Sem citar nomes, Tim relata que o convite partiu de pessoas supostamente vinculadas ao tráfico. “A associação vinha realizando um trabalho de conscientização sobre os males do crack, junto às escolas. Talvez por isso, fomos convidados a participar”, comenta.

Segundo Tim, o convite circulou pelo bairro e cerca de cem moradores participaram do encontro. Primeiro, mães de dependentes relataram o sofrimento que enfrentam e, depois, o próprio presidente do bairro falou das mazelas causadas pelo entorpecente. “Citamos o quanto o crack vem destruindo famílias. Temos crianças de nove anos usando esta droga, que talvez não cheguem aos 15 anos”, afirmou ontem.

A Brigada Militar considera o bairro um “ponto delicado”, por servir de base a delinquentes, não só vinculados ao tráfico, mas também a crimes como roubo e furto. No ano passado, tiros contra guarnições levaram a corporação a adotar uma estratégia de policiamento com emprego de um blindado.

Um homem que admite realizar a entrega de drogas revelou que a onda de furtos e roubos decorrente do consumo desta droga também era prejudicial “aos negócios”. “Começaram a surgir muitas denúncias e prisões, por causa do crack”, disse. Outro confirmou que o comércio das “pedras” estaria com os dias contados. “Vou parar de vender. Quem quiser continuar vendendo outra coisa (maconha ou cocaína) pode. Mas, crack, não.”

O prazo até 10 de dezembro teria sido estipulado com base no que ainda existe de crack estocado. O ingresso desta droga para dentro do Bom Jesus já teria sido interrompido.

Com informações da Gazeta do Sul


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