As drogas na vida e morte dos ‘wrestlers’ americanos

19 Abril 2010  |  Publicado por Editor BRAHA em Cultura das Drogas


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Por Cipriano Lucas

O número de mortes dos lutadores é assustadoramente alta. Excesso de anabolizantes e drogas estão na origem dos óbitos.

O recente suicídio de Chris Kanyon não surpreendeu o mundo do wrestling. A morte do lutador norte-americano é a mais recente de uma lista de 40 casos nos últimos dez anos associados ao consumo de substâncias farmacológicas que provocaram paragens cardíaca aos atletas.

Um amigo do lutador nova-iorquino, de 40 anos, antiga estrela da World Wrestling Entertainment (WWE), em que foi campeão por equipas, revelou que no passado dia 3 foi encontrado junto ao corpo do lutador um frasco de comprimidos e “várias notas” escritas pelo próprio, que sofria ainda de doença bipolar (maniacodepressivo). Os problemas associados à sua identidade começaram durante a sua carreira na WWE. E aumentaram depois de ter revelado a sua homossexualidade.

Nos últimos cinco anos, sete das maiores vedetas do wrestling profissional (ver últimas mortes), todos com menos de 45 anos, morreram vítimas de excesso de esteróides anabolizantes, drogas sociais e álcool, que estão associados a paragens cardíacas, perturbações de personalidade e psicológicas como depressão e doença bipolar.

O caso mais mediático aconteceu em Julho de 2007. Chris Benoit, lutador de wrestling, estrangulou a mulher e sufocou o filho de sete anos antes de se enforcar na roldana de uma máquina de pesos na Florida. Os investigadores concluíram que Benoit matou a mulher e o filho no fim-de-semana, tendo deixado junto aos corpos uma Bíblia, e que depois se suicidou na segunda-feira.

O cerco apertar na luta contra as substâncias ilícitas no seio da WWE. A direcção, liderada por Vince McMahon, promoveu uma série de testes obrigatórios ao sangue e urina dos atletas assim como planos de desintoxicação. Todavia, a cultura dos esteróides anabolizantes no wrestling, assim como no futebol americano, era muito permissiva até ao princípio da década de 90 do século passado, procurando agora, após sucessivas mortes, enquadrar-se nos controlo que hoje são exigidos pela Agência Mundial Antidopagem (AMA), que pratica testes-surpresa e obriga a um código de conduta.

Apesar de os resultados dos combates serem predeterminados, a taxa de mortalidade entre os lutadores com mais de 30 anos continua, assim, assustadoramente alta. O esforço, a agressividade e os impactes que colocam no espectáculo obrigam a treinos diários ao nível dos atletas de alta competição, provocando sucessivas e graves lesões traumáticas que rapidamente os viciam em analgésicos consumidos para enganar as dores. Estes medicamentos provocam apatia, por isso, passam a consumir drogas para aumentar a agressividade. Esta mistura mortal leva rapidamente à dependência de drogas, com que muitos lutadores têm de lidar mesmo após a reforma. Por outro lado, esses artistas tem níveis de exigência fora dos ringues que não lhes dão descanso, passando todo ano de cidade em cidade, muitos com mais de 300 espectáculos. É certo que as compensações económicas são altas, mas o abandono precoce deixa muitos com problema económicos. São todos esses factores que criam condições para transformar atletas em potenciais suicidas.

Fonte: http://dn.sapo.pt/desporto/outrasmodalidades/interior.aspx?content_id=1547215


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