Violência doméstica, abuso de álcool e substâncias Psicoativas

18 Novembro 2005  |  Publicado por Editor BRAHA em Cultura das Drogas


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Por: Revista Brasileira de Psiquiatria

A violência doméstica é definida como todo tipo de abuso físico, sexual ou emocional, perpetrado por um companheiro em outro, após ou durante um relacionamento. Em um sentido mais amplo, a violência doméstica inclui pessoas idosas no ambiente doméstico, a violência do homem sobre a mulher e o abuso físico e sexual de crianças por pais e por outros tutores. O problema, embora pouco relatado, afeta potencialmente entre 10% e 15% das mulheres nos Estados Unidos. A associação entre a violência doméstica e uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas, foi investigada por vários autores, mas uma relação causal entre esses fatores ainda não pôde ser concluída.

Há conhecimento de que a violência doméstica relacionada ao abuso de substâncias psicoativas são comuns em pacientes atendidos no sistema de saúde. No entanto, apesar destes problemas acarretarem graves seqüelas físicas e psicológicas, não são diagnosticados de forma adequada.

 

Artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria revisou os estudos atuais sobre a relação entre a violência doméstica e uso de substâncias psicoativas e quais as prevalências destes problemas e suas conseqüências para a saúde de crianças, adultos e idosos. O artigo discutiu também sobre os desafios enfrentados por médicos clínicos para a detecção, avaliação e encaminhamento das vítimas.

 

Segundo os pesquisadores, o uso de substâncias (por quem pratica, pela vítima ou por ambos) está envolvido em mais de 92% dos episódios relatados de violência doméstica. O álcool age freqüentemente como um desinibidor, facilitando a violência. Os estimulantes, tais como a cocaína, o crack e as anfetaminas, estão também envolvidos com freqüência nos episódios de agressões, reduzindo o controle dos impulsos e aumentando os pensamentos paranóicos (persecutórios).

 

Quanto à violência contra as mulheres, o uso de álcool está relacionado a aproximadamente 50% dos casos de abuso sexual. Os homens casados, que cometeram algum tipo de violência, apresentam taxas mais elevadas de alcoolismo quando comparados àqueles que não praticaram violência. O estupro e outras formas de abuso são desproporcionalmente mais freqüentes entre mulheres com problemas de uso de substâncias em comparação a outras mulheres na população geral.

 

Com relação ao abuso infantil, foi relatada uma forte associação entre o abuso sexual e físico em mulheres na infância e o desenvolvimento posterior de problemas com uso de drogas. Crianças vítimas de negligência apresentam risco mais elevado de desenvolver problemas com o uso de drogas, perpetuando, desse modo, um ciclo sempre crescente de violência/negligência.

 

Foi destacada ainda, a importância de que os profissionais de saúde mantenham sigilo com relação às informações prestadas pelos pacientes, que na maioria das vezes apresentam-se imbuídos de medo, vergonha e estigma. Outro aspecto ressaltado é a necessidade da rede de assistência estar articulada, de modo a facilitar o acesso do paciente a instituições que prestem auxílio às vítimas de violência doméstica, tanto para realização de denúncias e encaminhamentos para abrigos, quanto para tratamentos de dependência de substâncias psicoativas (grupos de ajuda mútua e de apoio).

 

As autoras concluíram que os estudos existentes sobre o tema variam extensamente, dependendo das definições e da metodologia adotadas. Mesmo assim, a pesquisa esclareceu como os profissionais de saúde compreendem a violência doméstica e as suas conexões com o uso, o abuso e a dependência de substâncias psicoativas.

 

Autor: Revista Brasileira de Psiquiatria
Fonte: Revista Brasileira de Psiquiatria, 27(Supl. II):S51-5, 2005 Zilberman, ML; Blume, SB.

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