Drogas e Religião: Um obscuro vínculo primitivo
7 Março 2006 | Publicado por Editor BRAHA em Cultura das Drogas, Informações Interessantes
Imprimir este Post | Enviar por E-mail
A quase totalidade das plantas pelas quais se obtêm as substâncias psicotrópicas, com as quais são elaboradas as chamadas drogas ilícitas, existem na Natureza para fins terapêuticos.
As sociedades primitivas da pré-história, entretanto, foram vítimas dos chamados “Iniciados”, pessoas que conheciam os efeitos alucinógenos de algumas plantas e fungos tóxicos, e vislumbravam, através da indução ao consumo, adquirir um poder de fascínio e dominação dos seus semelhantes.
Considerando-se que a religião e o consumo de drogas alimentam, basicamente, uma necessidade inerente ao ser humano que consiste em “sair da própria consciência”, fica fácil perceber porque ocorreu a associação dos dois.
Com certeza, os “religiosos” das épocas primitivas não possuíam um apetite voraz de manipulação das massas, tal como ocorre com a política e alguns segmentos religiosos da época atual, entretanto, é certo pressupor que a religião pareceu-lhes um método eficaz de poder e persuasão.
Considerando-se que o “desconhecido” sempre foi um alicerce para despertar a curiosidade do homem e que as substâncias psicotrópicas possuem o poder de proporcionar fenômenos psíquicos ao ser humano, as “drogas primitivas” foram o suporte para exercer um controle sobre o homem, ao mesmo tempo em que proporcionava ao “seguidor de qualquer religião” sensações que vinham preencher a necessidade premente do homem, em querer entender e se relacionar com o chamado “desconhecido”.
Existem substâncias que produzem o êxtase e dispõem ao sono magnético; existem, outras, que põem ao serviço da imaginação, todos os reflexos mais vivos e coloridos da luz elementar. E, sendo ou não usadas como inspiração mística, as drogas, pode-se afirmar, teve com a religião uma antiga ligação entre si.
O conhecimento e manuseio de substâncias psicotrópicas existe desde a Antiguidade; certas populações as utilizavam regularmente em circunstâncias bem definidas, geralmente de caráter religioso. Foram essas substâncias utilizadas tanto por índios, antes das conquistas, como igualmente nos rituais de magia negra da Idade Média.
Os monges da Índia, no século 15 Ac., atribuíam ao cânhamo (a fibra que se encontra no caule e nos galhos mais robustos da plana de maconha) uma origem divina. A planta era conhecida por nomes que lhe sugeriam felicidade e sucesso.
Mas nada se compara a história da civilização Maia, povo que vivia na América Central, antes do descobrimento da América e que chegaram a um elevadíssimo estágio de conhecimento científico.
Essa civilização desapareceu nos meados do século IV da nossa era. Conquanto a Ciência Acadêmica, em recente descoberta afirme que o declínio do povo ocorreu devido a uma grande seca, juntamente com o crescimento populacional, degradação do meio ambiente e guerras entre as cidades, processos esses que se alastraram num período de aproximadamente duzentos anos, inúmeras fontes de estudo, notadamente as religiosas, confirmam haver encontrado indícios de que houve uma causa “mais rápida” para a aniquilação do referido povo. E, mediante pesquisas e documentos, chegaram a seguinte conclusão sobre o tema.
Havia na sociedade maia, uma religião de Estado, uma casta sacerdotal que recrutava, entre os jovens das melhores famílias, adolescentes de 13 a 15 anos, para serviços dos templos.
Os escolhidos eram submetidos a uma “iniciação” secreta que consistia em engolir algumas “contas” dos colares que os sacerdotes usavam em suas cerimônias litúrgicas.
Cada vez que faziam isso, entravam em transe, permanecendo inconscientes durante várias horas. Outras vezes, manifestavam grandes agitações, gritavam e tinham sucessivas convulsões.
Posteriormente, o jovem narrava o que tinha visto ou sentido enquanto estava sob os efeitos das contas ingeridas.
Eram narrações impressionantes de visões fantásticas, descrevendo mundos estranhos e “desconhecidos”, local onde ele, jovem, sentia seu espírito liberto do corpo e flutuando pelo ar.
Os adolescentes iniciados permaneciam virgens até a morte e suas vida era muito curta: quase nunca chegavam a completar vinte anos.
O grande segredo, guardado pelos sacerdotes, era a origem das contas dos seus colares. Um dia, porém, ele foi divulgado além dos muros dos templos: eram fabricados à base de um cogumelo que crescia em abundância em todo o país.
Desejoso de conhecer os “mundos maravilhosos dos Deuses”, o povo maia passou a fabricar e ingerir as contas milagrosas. Mas o que não se sabia é que esse cogumelo continha um alcalóide, conhecido atualmente como mescalina, cuja fórmula é muito semelhante ao Ácido Lisérgico, ou L.S.D.
Os efeitos devastadores dessa prática não tardaram aparecer: crianças nascidas com deficiências físicas e mentais que não lhes permitiam sobreviver; moços e adultos começaram a perder a potência sexual e acabaram por mergulhar na loucura, transformando-se em caricaturas humanas, às vezes imbecilizadas e estúpidas, antes de morrerem prematuramente.
E foi dessa forma que, num período curto de duas gerações, um povo inteiro foi aniquilado pelo uso de drogas.
Tal como os Maias vemos que grande parte da humanidade da época atual está seguindo o exemplo daquele antigo povo e, em virtude do uso indevido de drogas psicotrópicas, está seguindo por um caminho que conduz, invariavelmente, à decadência física, espiritual e mental.
Entretanto, não é justo e correto apontar um vínculo permanente entre drogas e religiões, notadamente após o evento da pregação do Evangelho por parte de Jesus na Terra.
Quase todas as crenças, segmentos, religiões, estudos espiritualistas ou não, da época atual, estão dissociados do uso de substâncias entorpecentes em seus cultos, inclusive, a elas fazem sistemática campanha preventiva quanto ao seu uso indevido.
Observamos no nosso dia a dia que inúmeras entidades religiosas cumprem o papel que caberia aos setores públicos, recuperando, encaminhando e tratando dos mais variados casos de dependência física, tanto de drogas lícitas como ilícitas, obtendo razoável êxito na recuperação das pessoas que a elas procuram.
Dessa forma, de modo comparativo, podemos dizer que a “religião” manifestada pelas inúmeras tendências afins, vêm a ser, na época atual, ao invés do “carrasco” de outrora, uma das armas mais eficaz para a recuperação do dependente de drogas.
Os exemplos dessa afirmação estão espalhados e proliferam por todo o mundo, verdade para a qual, não existe, creio eu, contestação lógica ou argumento contrário.
Fonte: WEbsite Diga Não às Drogas
Site relacionado: http://www.diganaoasdrogas.com.br/artigo011.asp
Imprimir este Post | Enviar por E-mail
ATENÇÃO: todos os textos publicados no site BRAHA.ORG têm como objetivo servir de fonte de informações técnicas e científicas para consulta e pesquisa de todos aqueles que desejam saber sobre os temas tratados.
