Crianças e jovens cada vez mais próximos das drogas

19 Abril 2006  |  Publicado por Editor BRAHA em Cultura das Drogas


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São simplesmente estarrecedoras algumas das manchetes de jornais, rádios e emissoras de TV dos últimos meses. Eis exemplos bem chocantes: “Brasil é maior consumidor de anfetamina”, “Estudantes mais ricos consomem mais drogas, diz pesquisa” ou “Jovens são acusados de anunciar drogas na Internet”.

Essas notícias preocupam, especialmente os pais de crianças e jovens. Não é para menos. Recente estudo da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), da Organização das Nações Unidas, constatou, em neste início de 2005, que 5% da população mundial usa drogas ilícitas. Ou seja, uma em cada 20 pessoas no planeta, entre 15 e 64 anos, faz uso de algum tipo de entorpecente.

Infelizmente, as drogas estão por toda parte e atingem jovens cada vez mais cedo. Portanto, de acordo com a dra. Mônica Mulatinho, médica hebeatra e terapeuta de família, não existe idade certa para falar com os filhos sobre o assunto. “Eles estarão preparados quando demonstrarem curiosidade. Pode-se aproveitar a notícia de um fato real ou uma reportagem. O importante é ter em mente que a ingenuidade é um caminho muito perigoso”.

Onde foi que eu errei?
O jovem não entra para o mundo das drogas por um único motivo. “Baixa auto-estima e carência afetiva são os principais fatores predisponentes. Tudo que agrave esses fatores, como violências sexuais e físicas, além de psicológica, tais como humilhação, rejeição, indiferença, depreciação ou abandono de qualquer ordem, pode colaborar e vulnerabilizar o adolescente”.

Os pais também precisam perceber quando o filho pede ajuda. As evidências do uso de drogas deixadas pelo filho podem ser, ainda que inconscientemente, um pedido de colo. “Ele pode estar dizendo ‘cuide de mim, porque sozinho não estou dando conta. Preciso de você mais perto’”.

Portanto, não vale colocar a culpa naquele amigo, tido como ‘má companhia’. “O adolescente adota comportamentos de risco por causas internas, por brechas deixadas pela família e por questões culturais. Só então é que muda de comportamento, atrai e se sente atraído por determinadas amizades”.

Neste ponto, para a dra. Monica, o adolescente dificilmente vai parar com as drogas, se os amigos o fizerem. A estratégia é formar uma rede de proteção. “Os pais podem e devem procurar os responsáveis pelos amigos do filho para alertá-los sobre o problema”.   

Não existem drogas que fazem menos mal
Uma grande armadilha, neste meio, é o fato de pais fecharem os olhos por considerarem determinadas drogas mais toleráveis. “O álcool é uma droga lícita, porém, com grande possibilidade de gerar dependência química. Há riscos associados ao uso do álcool, como acidentes de trânsito causados por motoristas alcoolizados”.

Do mesmo modo, a especialista alerta para o perigo das drogas tidas como inofensivas. “Desde os idos dos anos 70, ninguém fuma maconha em nome da ‘paz e do amor’. Consumir maconha é participar da cadeia do narcotráfico, que consiste em um meio de altíssima periculosidade”. 


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