Crack: Segundo especialista, pacientes que se tratam há mais de 5 anos ainda relatam desejo pela droga
3 November 2009 | Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas
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Andréa Silva – O Tempo
O técnico em telefonia R.S.C, 28, foi demitido várias vezes nos últimos cinco anos. Ninguém da família teve notícias do que foi feito com o dinheiro dos acertos. As mudanças de comportamento – como agitação, nervosismo e a troca do dia pela noite – preocupavam os pais do rapaz, o motorista particular H.R.C., 53, e a dona de um salão de beleza, G.R.S, 49. Apesar da situação desgastante vivida pela família durante vários anos, os parentes não queriam acreditar que o jovem estava envolvido com drogas.
A notícia sobre o vício de R. foi revelada por ele mesmo, este ano, durante uma festa. Para os pais, foi um impacto. “Meu filho tinha bebido. Ele nos contou chorando que não aguentava mais aquela situação. O pior foi saber que ele estava viciado em crack, essa droga terrível de que tanto ouvimos falar, mas nunca acreditamos que pode estar tão próxima”, contou G.
Segundo a mãe, depois de confessar o vício e jurar que iria se tratar, o comportamento de R. dentro de casa ficou insuportável. Ele chegou roubar uma torradeira, um secador e trocou quase todas as suas roupas por pedras de crack. No limite entre o amor pelo filho e o desespero, a solução encontrada pela família foi a internação. Em julho, R. foi levado para uma clínica particular, de internação involuntária. “Um mês depois de sua internação, nosso filho ligou revoltado. Dizendo que não queria ficar preso. Só chorava. Tudo isso me levou ao desespero. Mas, felizmente, passado esse período, já percebemos uma mudança para melhor em seu comportamento”, contou a mãe.
De acordo com o psiquiatra Valdir Ribeiro Campos, da Associação Médica de Minas Gerais, especialista em dependência química, muitos de seus pacientes, com idade entre 17 e 30 anos, são conduzidos para atendimento ambulatorial por familiares, pela Polícia Militar e, em algumas vezes, até pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O grau dos dependentes químicos é de moderado a grave.
As pessoas, conforme Campos, buscam ajuda profissional quando o usuário de drogas se torna violento, colocando em risco a própria vida e das pessoas que os cercam. “A dependência química é uma doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os familiares desses usuários devem ter a consciência disso”.
Na última terça-feira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o tratamento oferecido a usuários de crack no país é falho, mas anunciou que o governo federal vai investir R$ 110 milhões para reforçar os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde. Os recursos serão destinados para criar 2.500 leitos em hospitais gerais que terão capacidade de atender até 12 mil usuários.
Conforme o psiquiatra Valdir Campos, há pacientes que estão se tratando há cinco anos, não usam mais a droga, mas, até hoje, relatam a vontade de provar a substância. O processo de reabilitação – principalmente dos dependentes do crack, da cocaína e do álcool – é demorado e envolve uma série de fatores. O paciente precisará de medicação para controlar sintomas psicológicos como a depressão e será submetido a técnicas de psicoterapia e de base cognitiva comportamental, para criar a habilidade de dizer não à droga.
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