Ex-usuários de drogas ressaltam a importância do apoio da família no tratamento
21 Fevereiro 2010 | Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas
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As histórias são bem parecidas. Os dois são cariocas, se envolveram com drogas durante a adolescência por influência de ‘amigos’, perderam a confiança da família e decidiram se tratar. Eles fazem parte do mesmo grupo contra as drogas no Espírito Santo. A trajetória de Carlos Vinícius Pribul Loureiro, de 31 anos, e Thiago Costa Reis Russo, 25, só é diferente pela idade dos dois e pelo tempo em que estão em tratamento. Entretanto, mostra que é possível um resultado diferente do que foi visto na madrugada desta quinta-feira (18), quando uma família decidiu pedir à Justiça o afastamento do filho de casa por causa do vício em crack. Weverton Vaillant Araújo, 29 anos, chegou a agredir o pai com golpes de rodo.
Carlos Vinícius Pribul Loureiro conheceu as drogas com 12 anos de idade, no Rio de Janeiro. Durante as férias em uma casa de praia com a família, ele conheceu um cigarro de maconha oferecido por amigos e gostou. A partir daí, foram cerca de quatro anos fumando maconha com uma frequência cada vez maior. Aos 17 anos, a maconha já não fazia mais o efeito esperado e Vinícius decidiu partir para a cocaína.
“Uma droga abre as portas para a outra. Comecei com a maconha, pulei pra cocaína. Depois o crack, a cerveja. Quando eu fui ver, eu já estava no fundo do poço. Eu vivi 12 anos da minha juventude no mundo das drogas”, lembra.
Durante todo o tempo em que esteve envolvido com drogas, Carlos Vinícius perdeu as amizades, as boas oportunidades nos estudos e, principalmente, a confiança da família. A desconfiança chegou ao ponto de todas as bolsas e os pertences de valor serem escondidos quando ele entrava em casa.
“A minha família era boa. Mãe advogada, pai médico. Sempre estudei nos melhores colégios do Rio de Janeiro e tive do bom e do melhor. Mas desde o momento que a minha mãe descobriu que eu era um usuário de drogas, acabou a minha vida e desabou a vida dela. Aí começou o sofrimento e eu me aprofundei mais ainda”, desabafou.
Mas com a ajuda da família, que decidiu dar apoio ao tratamento e incentivou a internação, Vinícius aceitou ser ajudado e se tratou por nove meses. Para ele, assim como período da gestação, foi a criação de uma nova vida. E hoje, após se curar do vício e não utilizar mais nenhum tipo de droga, ele já trabalha há sete anos em Vila Velha como voluntário na Casa Manassés, de recuperação para ex-usuários.
E foi trabalhando como ‘obreiro’ na instituição - prestando orientações e auxiliando os novos internos-, que Carlos Vinícius conheceu a história de Thiago Costa Reis Russo, 25 anos. Thiago chegou ao Estado há uma semana para começar o tratamento. Ele começou a fumar maconha aos 17 anos e descobriu a cocaína através de amigos, após a morte da mãe.
Para não ter o vício interrompido, Thiago se distanciou dos amigos e passou a ser acompanhado apenas de pessoas que também usavam algum tipo de droga. Por três anos ele manteve o vício, que foi descoberto em 2007 pela desconfiança de um tio. Quando foi perguntado se estava utilizando algum tipo de entorpecente, Thiago Costa Reis não negou e pediu ajuda.
Mas uma recaída depois de três meses de tratamento fez com que ele usasse ainda mais cocaína, chegando ao ponto de ir buscar drogas em favelas durante a madrugada ou tentar agredir a avó, pela falta de dinheiro.
“Várias vezes eu já cheguei a querer quebrar a casa, tentar agredir a minha avó. Minha avó não queria me dar. E eu comecei a inventar um monte de história. Já agredi a minha ex-noiva também. E corri risco nas favelas. Traficantes me paravam para me revistar e saber de onde eu era”, lembra.
A volta à recuperação, há uma semana, foi uma decisão que partiu da avó. Depois da recaída, ele teve que decidir entre permanecer no vício ou ficar ao lado da família. E escolheu novamente se tratar. Thiago se cadastrou na Casa Manassés ainda no Rio de janeiro e foi enviado para o Espírito Santo, onde ainda está na fase inicial do tratamento.
Ele permanecerá por mais uma semana recluso na instituição, recebendo orientações dos outros membros do grupo e participando das oficinas oferecidas na casa, inclusive por Carlos Vinícius Loureiro, que se recuperou e há sete anos é exemplo para outros usuários de drogas. Depois começará a campanha nos coletivos do Sistema Transcol, vendendo canetas e divulgando a importância da recuperação dos jovens envolvidos com as drogas.
Fonte: A Gazeta Online
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