O carrossel da dependência
19 Abril 2010 | Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas
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Como o consumo do crack envolve os que convivem com os usuários e obriga todos a repensar atitudes
Por Rogério Kreidlow - rogerio.kreidlow@an.com.br
Inês já teve depressão profunda. Engordou a ponto de pesar 150 quilos e ainda chora ao pensar nas ameaças feitas ao filho caçula por causa de uma dívida de R$ 600.
A história revela mais uma mãe de Joinville, desesperada com as consequências do crack em casa. Sem saber como lidar com o vício do filho – e, antes dele, com o alcoolismo do marido –, Inês começou a manifestar o que os especialistas chamam de codependência: sintomas de quem convive e não enxerga saídas à dependência de um familiar ou amigo. Hoje, ela recebe acompanhamento em uma instituição pública que atende dependentes e seus familiares.
A coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial para Tratamento de Álcool e Drogas (Caps AD) de Joinville, Lisete Maria Borba, diz que o crack cria um carrossel da dependência química. “O usuário está no centro desse carrossel e uma série de outras pessoas – pais, companheiros, irmãos, filhos, amigos e colegas de trabalho – giram ao redor dele”, explica.
É o carrossel de Inês. “Tem hora que você pensa em fazer a trouxa e ir embora, largar tudo. Mas o coração sempre fala mais alto. Você quer ajudar e acaba se desgastando”, diz ela, que só não largou o emprego por não ter outra fonte de renda.
Ela se culpa pelo envolvimento do filho com a droga. “O fato de eu querer cuidar do meu marido por causa da bebida deixou meu filho exposto. Quando vi, era tarde demais. Ele também bebia e daí foi um pulo para entrar na cocaína e no crack”, relata.
Desempregado, o filho hoje já reconhece o vício e quer se tratar, mas não escapa das recaídas, segundo a mãe. Já foram oito internações sem sucesso. Inês o descreve como uma pessoa retraída, sem convívio social e pacato, quando não está sob o efeito da droga. “Ele nunca foi de sair, ir a festas, bailes. Não se casou. Com o tempo, foi se fechando cada vez mais em casa e só saía para buscar a droga”, afirma.
Hoje, ela diz acreditar na recuperação da família. E não desiste de levar o filho a tratamentos e encontros com outros dependentes. “Nestas reuniões me sinto melhor. Vejo que não estou sozinha. Porque a solidão é muito grande.”
Fonte: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2875906.xml&template=4187.dwt&edition=14511§ion=885
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