Co-dependência: esforço insano, fadado ao insucesso

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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A questão da co-dependência pertence à área da Saúde Mental, que passou a se ocupar da mesma, em nível mundial, a partir de 30 anos atrás. No Brasil, os estudos a respeito tiveram início na década de 90. 

No 5o Congresso Nacional de Amor Exigente em Goiânia (GO), tivemos um painel específico a respeito deste tema, quando, a partir de experiência dos líderes de AE e seus grupos de atuação, constataram-se os seguintes sucessos: 

1 – embora seja um assunto novo, está havendo uma conscientização dos coordenadores e membros dos grupos de serem co-dependentes; 
2 – quebrando o mecanismo de negação, começam a trabalhar a aceitação de o serem e iniciam a recuperação; 
3 – quando isso acontece, o relacionamento do coordenador com o grupo e entre os membros melhora;
4 – que já há grupos realizando reuniões quinzenais, para estudar a co-dependência, assim como cursos para coordenadores. 

A psicóloga Rosinez Aparecida Lourenço participou do Congresso de Amor Exigente e apresentou palestra sobre “Como superar a co-dependência”. Ela acredita que teoricamente, o caminho para se aumentar o conhecimento sobre co-dependência seria através de um estudo da literatura que se tem disponível, pertinente ao tratamento da doença dependência química e aos grupos de auto-ajuda, mesmo que a literatura psicológica tradicional tenha poucas referências ao termo co-dependência. 

Ela explica que o co-dependente, como qualquer outro indivíduo que apresenta e viva um comportamento disfuncional, não tem consciência de sua co-dependência e, quando se sinaliza esta disfuncionalidade, ele resiste em aceitar e defender-se. Para ajudá-lo, podemos tentar fazê-lo conscientizar-se de seus atos e perceber que é impossível viver controlando o outro, que isto o desgasta física, psicológica e espiritualmente, e é um esforço insano, fadado ao insucesso.

É preciso que o co-dependente aceite a realidade de sua vida, encare a verdade dos fatos vividos, se disponha a trabalhar os seus ressentimentos, seus medos, sua baixa-estima e a mudar seu estilo de vida e que não mais canalize suas energias para manter o controle do outro e da situação. O co-dependente tem que ser orientado a perceber que tanto ele quanto a pessoa que tenta controlar estão vivendo uma relação neurótica de ganhos e perdas, com muito mais perdas do que ganhos. 

A psicóloga acredita que até certo ponto seria difícil um co-dependente coordenar um grupo de outros co-dependentes, sem antes ter elaborado sua própria vivência disfuncional, sem ter trabalhado sua verdade, sua realidade, seus limites. Com certeza, os ajudaríamos, se antes lhe oferecermos ajuda, para, primeiro, o co-dependente cuidar de si e, depois, ajudar o outro. 

Com relação a dificuldade de fazer a leitura história da vida de quem procura ajuda nos grupos de AE, a psicóloga diz que a leitura histórica da vida de uma pessoa poderá ser feita desde que se crie um “ambiente facilitador” para que esta se coloque. É muito importante saber ouvir o discurso de quem nos procura para ajuda. A princípio, não se deve fazer interpretações precipitadas, projeções pessoais, deve-se apenas ouvir o desabafo. Ao ouvir, podemos fazer uma leitura de suas defesas e desejos, conscientes, inconscientes, para depois, no momento oportuno, sinalizá-las para que a pessoa possa fazer suas elaborações. 

Este texto foi o resultado de discussão de sala temática do Congresso Brasileiro de AE em Goiânia. O coordenador desta sala foi Mário Eustáquio Furtado, de Londrina.

Fonte: Grupo Amor Exigente


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