O Problema do Tóxico (cont.)
7 Outubro 2008 | Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas, Para os Educadores, Para os Pais
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Se, ao chegar a hora da mamadeira de um menino de 18 meses, o leite estiver “estragado” e dissermos a ele que terá de esperar algumas horas para a aquisição de outro leite, a criança não se conforma; e se deixarmos a mamadeira ao seu alcance, fatalmente tomará o leite sem medir o mal futuro para sua saúde, mesmo que este mal lhe seja detalhadamente explicado. Ele quer matar a fome naquele instante, não importando o resto.
Se dissermos à criança que precisa tomar uma injeção para se curar da amigdalite que lhe causa tanto mal-estar, ela jamais aceitará isto integralmente porque não está pensando no amanhã; apenas vive a dor da picada do momento.
Este quadro reativo emocional, este comportamento e esta maneira de ser caracterizam a imaturidade do ser humano e são próprios da infância. O imaturo não quer adiar um prazer para ter maior prazer no futuro. Não aceita deixar para depois ou se privar de uma satisfação para evitar desprazer posterior. Ele vive a satisfação do momento. Ele não sabe que outros existem; é egoísta, vive para si e, em resumo, usa os outros para obter alguma coisa.
De início, é assim a criança. As frustrações bem orientadas vão moldando sua maneira de agir, de pensar. A maturidade emocional é quadro inverso do descrito. Ela adia um prazer, por maior que seja, para evitar desprazer maior posterior ou, então, prorrogar uma alegria em troca de futura e maior alegria.
Há crianças que, devido à educação e em decorrência da formação licenciosa que tiveram, jamais sairão da imaturidade emocional para a maturidade. Elas se desenvolvem fisicamente, tornam-se homens ou mulheres somaticamente maduros. Amadurecem o corpo, mas permanecem bebês do ponto de vista emocional.
O jovem que promove desordens nas ruas com seu carro; o que ateia fogo às casas porque queria um Galaxie e este lhe foi negado é o mesmo bebê que grita desesperadamente pela mamadeira, quando tem fome; ele quer ser atendido, custe o que custar. É o “nenê emocional” que atira longe as coisas e não reconhece autoridade quando contrariado ou quando seus jogos não atingem o fim desejado.
Emocionalmente é um bebê que esbraveja, grita ou chora, quando não está satisfeito com o ambiente que o rodeia, por causa das frustrações que lhe são impostas.
Ele é bebê, emocionalmente falando, apesar de ser homem fisicamente bem desenvolvido; ainda aqui, sua rebeldia se torna ainda mais perigosa, porque quando criança (fisicamente) não tinha força nem o raciocínio como molas propulsoras de sua vida emocional. Agora com o físico desenvolvido e a inteligência a ajudá-lo, projeta a “energia emocional” contra os que o cercam e contra a sociedade.
Como sempre foi atendido em todos os seus desejos (o que o fez estacionar na imaturidade), agora não entende o não , nunca suportando frustrações. O imaturo não aceita censuras e interpreta toda e qualquer conduto nesse sentido, como ameaça ao seu ego, como falta de amor. A frustração que o ameaça e o faz sentir-se não-amado gera a insegurança, a angústia e a fuga da realidade torna-se premente e inevitável.
Para evitar a incerteza e a censura, para adquirir forças a fim de enfrentar a situação criada, o imaturo se atira à bebida, aos entorpecentes, etc.
Como o LSD, ele pode viver fantasiosamente e fugir da experiência que o faz sofrer. A morfina anestesia-lhe a “alma”, propiciando menor dor ao seu ego ferido. “Precisa viver fora da realidade que o agride e, para isso, usa o vício.”
A insegurança poderá ser gerada por outro mecanismo e levar, da mesma maneira, o indivíduo ao vício.
Conhecemos um jovem cuja educação foi a mais severa possível. Tudo o que realizava desde menino precisava da autorização do pai. Mesmo depois de moço, todo o dinheiro ganho no trabalho era dado ao pai para que dissesse onde e quando deveria ser gasto.
Este jovem desenvolveu dependência em relação ao pai e não era mais capaz de decidir nada por si. Certa ocasião gostou de uma moça e solicitou ao seu pai licença para namorá-la. Esta lhe foi negada. Com o decorrer do tempo, começam a surgir situações em sua vida que o tornam inseguro e sofredor. Se ia a um baile e tinha vontade de dançar, não reunia coragem suficiente para convidar a moça à dança.
Se precisava falar com alguma pessoa, a coragem lhe faltava porque tinha medo de ser criticado e ridicularizado.
O medo, a insegurança, a incerteza e a incapacidade de decidir por si as coisas levaram-no à angústia insuportável. Como meio de adquirir coragem, com a finalidade de enfrentar os problemas cotidianos, passou a usar o álcool em doses cada vez maiores; e nós o conhecemos em um hospital de psiquiatria, como alcoólatra crônico.
Outro jovem, como o mesmo ritual evolutivo, encontramo-lo em hospital de psiquiatria por fazer uso do ópio, maconha e LSD.
Como substrato de todos os vícios, observamos a insegurança, pelo menos nos casos acima enumerados.
A mais profícua fonte de insegurança e, portanto, de consumidores de tóxicos, é a educação errada e falha em seus aspectos de assistência à criança, de uma maneira global.
Outro fator terrível na geração de viciados e toxicômanos pode ser considerado. Porém, este fator não age na infância, mas sim diretamente no jovem. Este fator a que nos referimos é a guerra. O jovem sabe que vive agora, mas não tem certeza se continuará vivendo amanhã. Esta dúvida gera insegurança, que o leva ao suicídio inconsciente e lento, através do excesso de cigarros, de álcool e, posteriormente ou concomitantemente, aos mais variados tóxicos.
Poderíamos ainda citar os que se tornam viciados porque, sem conhecer, são levados inocentemente por outros viciados, ou por curiosidade se tornam presas fáceis dos inescrupulosos traficantes. Acreditamos, todavia, que mesmo estes são predispostos, educacionalmente falando, e cremos que, para eles, as campanhas de esclarecimento tivessem efeito preventivo.
Finalmente, há um grupo de viciados que aí chegaram, não por insegurança, mas porque atingiram a fase seguinte, que é o descrédito total nos outros e em si próprios. Eles vivem o “caos emocional”, suas existência não têm mais significado. São totalmente desacreditados, não há mais esperança e, portanto, os tóxicos usados mais uma vez para o suicídio, consciente ou inconsciente. É também para fugiram ao nada que têm dentro de si. Estariam neste caso grande número de prostitutas e homossexuais, que odeiam tudo, até mesmo a si próprios. Os homossexuais odeiam tanto a si como a humanidade, que fazem do homossexualismo uma maneira simbólica de expressar o extermínio da espécie humana, tendo em vista que a perpetuação da espécie que repudiam não seria possível através de suas relações.
A prostituta odeia tudo, inclusive o sexo. Tanto isto é verdade, que o comercializou e deu-lhe um valor vil, que é o dinheiro.
A maneira de evitar os tóxicos e os toxicômanos está na boa formação e orientação da criança, no extermínio da guerra, no combate à desvalorização do ser humano.
Autor: Dr. Adolpho Menezes de Mello
Fonte: Revista Pais & Filhos
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