Drogas: um sistema na sociedade
7 Outubro 2008 | Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas, Para os Educadores, Para os Pais
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Quando um adolescente fuma seu primeiro cigarro de maconha, não se trata de uma experiência isolada. Ele acaba de entrar em um “sistema” que movimenta 400 bilhões de dólares por ano. No sistema, circulam usuários, intermediários e produtores. Quem está fora do sistema?
Você já tomou uma “bolinha” para passar a noite em claro, estudando para o vestibular, ou para se manter acordado para curtir uma festa? Você é daquele que não dormem sem um Lexotan? Você não consegue participar de uma “festinha de criança” sem ingerir bebidas alcoólicas? Seja bem-vindo! Você faz parte do sistema…
O elemento mais visível desse sistema é o usuário de alguma droga. Quando a pessoa atinge alto grau de comprometimento no uso da droga, pode ter sua vida praticamente arruinada. Salvo exceções, o usuário não tem acesso à droga se ela não lhe for oferecida (normalmente vendida) por alguém que age como intermediário entre a produção e o consumo.
É o caso do traficante de cocaína e do farmacêutico que vende anfetaminas sem receita médica (comércio ilegal). Mas é também o caso daquele senhor comerciante que vende bebida alcoólica ao pinguço da cidade (comércio ilegal), ou daquele outro que vende bebida alcoólica ao jovem menor de idade (comércio ilegal). A relação entre usuário e intermediário forma a metade mais visível do eixo do sistema das drogas. Torna-se o alvo preferencial da repressão. A outra metade do eixo do sistema está na relação entre o intermediário e o produtor, que cultiva a planta, (coca, tabaco, maconha) ou potencializa seu princípio ativo (no caso dos opiáceos e da coca), ou do industrial (que fabrica fármacos, cigarros, solventes e bebidas).
Assim, traficantes e comerciantes captam os produtos de industriais e produtores para repassá-los aos usuários. Tal sistema de relações pode incluir entregadores da mercadoria, que não são os “aviões” (muitas vezes crianças, menores ao abrigo da Lei). Estes, os mais pobres e desprotegidos, formam a grande maioria dos que se expõem e sofrem consequências da polícia e da Justiça.
No entanto, o sistema movimenta no planeta, a cada ano, nada menos que U$ 400 bilhões. “Enquanto os poderosos chefes dessa rede – às vezes militares de alta patente, ministros e governantes! – dispõem de muitos meios para escapar da repressão policial, inclusive fazendo “lavagem de dinheiro”, que lhes dá a aparência de comércio legal, os pequenos traficantes e usuários de droga acabam atrás das grades ou mortos pelos becos das favelas. Fecha-se assim o círculo vicioso maldito.
Ninguém escapa ao sistema. No mínimo, somos atingidos pelo medo. Medo de que nossos familiares se envolvam e medo da violência gerada. Todos sabem que o problema das drogas e da violência cresce dia a dia. Todos sabem que ele é inseparável da questão educacional, com realce para a formação religiosa e espiritual. Isto quer dizer que as famílias, os pais e educadores, bem como as comunidades cristãs, têm alguma responsabilidade nesse estado de coisas. Vamos ficar atentos ao que nos cabe?
Fonte: Jornal O Lutador de Belo Horizonte
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