Cola de sapateiro afeta cérebro de forma igual à cocaína, advertem cientistas

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas, Medicina & Saúde, Para os Profissionais de Saúde


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Os vapores da cola de sapateiro e de solventes usados por crianças como drogas vão às mesmas regiões do cérebro que são estimuladas pela cocaína e outras substâncias ilícitas, advertiram pesquisadores norte-americanos. 

Tomografias cerebrais mostraram que substâncias químicas como o tolueno, que é usado nesses produtos, se deslocam rapidamente para os centros de prazer e, de lá, para outras células do cérebro, onde causam danos que podem levar à perda da memória, a problemas de visão e a sérias lesões cerebrais. 

“É a primeira vez que comprovamos isso”, disse Stephen Dewey, especialista em neurologia do Laboratório Nacional de Brookhaven, em Nova York. 

“Em pesquisas anteriores, as pessoas relataram euforia e altas anímicas. Mas até agora não sabíamos que esse tipo de produto químico, o tolueno, se dirigia aos centros de dopamina no cérebro, como ocorre com a cocaína”, acrescentou. 

Produtos como a cola, ao contrário das drogas ilegais, estão ao alcance das crianças em todas as partes, e em alguns países podem ser comprados com extrema facilidade. 

“Muitas crianças de 10, 11 e 12 anos me fazem perguntas sobre cola ou acendedores de butano”, disse ainda o especialista, que visita escolas para alertar os menores sobre os perigos das drogas. “O mais chocante é que as últimas estatísticas mostram que uma de cada cinco crianças de 14 anos já experimentou isso”. 

Dewey e seus colegas relataram, na revista Life Sciences, que haviam injetado tolueno em macacos e, em seguida, realizaram tomografias para analisar as alterações no cérebro dos animais. 

“As imagens foram realmente assombrosas; não esperávamos ver o que vimos”, disse o neurologista. 

“Com o tempo, foi se produzindo uma atrofia cortical, caracterizada por mudanças comportamentais e desorientação”, acrescentou Dewey, ressaltando que a visão dos animais se tornou difusa e estes não puderam coordenar suas ações. 

O próximo passo dos pesquisadores é estudar adultos que tenham admitido o uso de cola ou de outras substâncias similares na juventude, a fim de corroborar suas conclusões. 

Autor: CNN
Fonte: CNN


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