Ecstasy - A droga da classe média

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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Há algo de novo nas noitadas das grandes cidades. O ecstasy, a “pílula do amor”, a “bala” das festas de música eletrônica, deixou definitivamente de ser uma droga do mundinho clubber, usada por gente de cabelo verde e roupas escalafobéticas, para tornar-se aditivo comum entre adolescentes de classe média.

Transformou-se na nova porta de entrada dos iniciantes no mundo das drogas. Com o falso marketing de substância inofensiva, que provoca euforia sem causar dependência, o ecstasy é experimentado pelos jovens em raves e em casas de amigos. O crescimento do consumo pode ser comprovado pelas apreensões feitas pela Polícia Federal nos últimos meses. De janeiro a abril deste ano foram mais de 54 mil comprimidos - três vezes mais que todo o ano passado. A garotada da Zona Sul do Rio de Janeiro vê a pílula como alternativa “segura” à cocaína e à maconha. “Para comprar essas drogas, o consumidor tem de subir o morro. Com o aumento da violência, porém, a classe média quer distância desses lugares. Por isso compra ecstasy, que é vendido pelo colega de faculdade e pelo sujeito que eles encontram na danceteria”, diz o delegado de entorpecentes da PF do Rio, Victor Carvalho dos Santos.

O estudante G., de 19 anos, morador do bairro de São Conrado, é um exemplo da nova tendência. “Certa vez fui comprar maconha na Rocinha e começou um tiroteio. Acertaram um cara do meu lado. Decidi passar para o ecstasy, que é mais elitizado”, diz. Há pouco mais de um ano ele experimentou o primeiro comprimido. Depois de várias sessões, tornou-se dependente, teve crises de depressão e chegou a bater na própria mãe. Só conseguiu voltar à vida normal após ser internado em uma clínica de recuperação, em novembro. A ironia é que G. e cinco de seus amigos haviam firmado um pacto - nenhum deles se envolveria com cocaína, para evitar a destruição provocada pela droga. Elegeram o ecstasy por julgá-lo inofensivo. “Quem cheirasse cocaína era vacilão”, lembra o rapaz, que agora freqüenta as reuniões dos Narcóticos Anônimos. Até 2001 era raro encontrar nas clínicas de tratamento de viciados os consumidores da “bala”, “E”, “I” ou “pílula do amor”, como o ecstasy também é chamado. “Desde o ano passado, eles correspondem a 25% das internações”, diz o psiquiatra Jorge Jaber, dono de uma das maiores clínicas do Rio. Segundo ele, a faixa de idade dos consumidores é mais baixa que a dos viciados em outras substâncias - de 16 a 20 anos.

Vendida em pílulas de diversas cores, desenhos e tamanhos, a “bala” pode passar facilmente por um inofensivo remédio para dor de cabeça. Não tem o cheiro forte da maconha nem exige um ritual para ser consumida, como a cocaína. Por isso é mais discreta e fácil de esconder da polícia. A origem da droga, vendida por gente de classe média - e não por traficantes do morro -, sugere que ela não alimenta o crime organizado. O que é falso, porque em lugares como Londres e Ibiza seu comércio já é controlado pela máfia russa. Nas festas do Rio e de São Paulo, o consumo serviu também para ressuscitar o alucinógeno da geração dos anos 50, o lança-perfume. Ele é usado para “aquecer os motores”, porque o ecstasy leva cerca de 30 minutos para fazer efeito. Desde janeiro a Polícia Federal apreendeu mais de 18 mil frascos da droga - volume seis vezes maior que o registrado em todo o ano de 2000.

A ESCALADA DA DROGA
Número de comprimidos apreendidos, ano a ano
2000 - 16.796
2001 - 1.909
2002 - 15.804
2003 - 54.608

Fonte: Revista Época


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