Grupo encontra o gatilho fatal do ecstasy

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Destaques, Drogas Psicoativas


Imprimir este Post  |  Enviar por E-mail

Pesquisadores nos EUA descobriram como a “ferveção” de alguns clubbers nas pistas de dança pode levá-los a “ferver” demais — esquentando o corpo até morrer.

 

Uma proteína no organismo, a UCP-3, foi apontada como essencial para o desenvolvimento de febres altíssimas que podem até matar os clubbers usuários da droga ecstasy.

 

A droga existe desde a década de 1910. Seu princípio ativo é conhecido pela sigla MDMA (metilenodioxidometanfetamina). Era utilizada em psicoterapia e para inibir o apetite. Tomada por via oral, passou a ser muito difundida nos anos 80 e 90 pela tribo urbana dos clubbers em todo o mundo.

 

O ecstasy age no sistema nervoso, aumentando a concentração de serotonina e dopamina, dois neurotransmissores (substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios, as células do cérebro). O usuário sente euforia, bem-estar, fica de bem com o mundo e com quem estiver em volta. É uma verdadeira pílula do amor, mas que pode matar.

 

Testes com roedores

 

A equipe liderada por Jon Sprague, da Ohio Northern University, em Ada, Ohio, EUA, testou camundongos que não tinham a proteína UCP-3. Os resultados da pesquisa estão na edição de hoje da revista científica britânica “Nature” (www.nature.com).

 

Segundo um relatório da ONU citado por Sprague e colegas, houve um aumento de 70% no uso dito recreativo da MDMA entre 1995 a 2000. Apesar do crescimento, os casos de morte são raros.

 

A maior parte das mortes está ligada a uma persistente hipertermia, febres que causam problemas no sistema músculo-esqueletal (músculos que dependem da vontade, por exemplo o bíceps do braço) e também danos aos rins.

 

As proteínas tipo UCP atuam na regulação da temperatura do corpo, embora com distinções, além de ainda existir dúvidas sobre o papel exato de várias delas. Os pesquisadores foram checar a UCP-3 porque ela é muito produzida nos músculos esqueletais, e porque o ecstasy aumenta a temperatura desses músculos.

 

Os experimentos foram feitos com camundongos que não produziam a proteína, e também com camundongos de uma linhagem normal. Todos receberam doses crescentes de ecstasy.

 

Os roedores selvagens mostraram um claro aumento na temperatura associado com a dose que recebiam da droga. Quanto mais droga, mais “ferveção”.

 

O mesmo não aconteceu com os animais deficientes em UCP-3 –seu aumento de temperatura foi bem menor. E mesmo recebendo doses da droga que matariam camundongos comuns, eles sobreviveram.

 

Segundo os autores do estudo, a demonstração de que a proteína UCP-3 age como uma mediadora do aquecimento provocado pela droga pode servir de ponto de partida para tratamentos futuros. “Nosso objetivo é ajudar no tratamento de pacientes que ficam perigosamente hipertérmicos”, afirma Sprague. Mas um agente terapêutico poderia até ser usados pelos drogados –algo como “tome a pílula, e se sentir febre, tome a outra”. “Este é um cenário de fato possível. A descoberta do nosso estudo pode ajudar nessa direção”, diz o pesquisador.

 

Problemas no coração

 

O ecstasy também pode causar ataques do coração em pessoas relativamente jovens, segundo um relato que está sendo publicado na edição de dezembro da revista médica “Annals of Emergency Medicine”.

 

Trata-se da história de um homem de 27 anos que procurou o pronto-socorro depois de sentir dores no peito por cerca de três horas. Ele tinha tomado uma garrafa de uísque e tomado meia pílula da droga. Esse é apenas o segundo relato do gênero, de um “infarto do miocárdio induzido por MDMA”, segundo os autores do estudo, pesquisadores da Universidade Nacional de Taiwan.

 

Relatos de efeitos negativos da droga acompanham o aumento do número de usuários, pela disseminação da droga e por seu uso por períodos prolongados. Apesar disso, há cientistas que defendem o uso terapêutico da MDMA, como ocorre com drogas como maconha ou morfina (e as mais perigosas heroína e cocaína).

 

A Universidade da Carolina do Sul, nos EUA, pretende testar o ecstasy em vítimas de estresse pós-traumático, notadamente em mulheres vítimas de estupro.


Imprimir este Post  |  Enviar por E-mail

ATENÇÃO: todos os textos publicados no site BRAHA.ORG têm como objetivo servir de fonte de informações técnicas e científicas para consulta e pesquisa de todos aqueles que desejam saber sobre os temas tratados.


Medicina & Saúde »

Políticas de Drogas »

  • EUA: FBI fecha lojas que vendem maconha
    Dez 7, 2011 | Texto completo

    Atualmente há mais lojas vendendo maconha “legal” do que cafeterias de uma famosa rede. Uma equipe de TV conseguiu uma receita para uso de maconha sem comprovar nenhuma doença.

  • Drogas e prevenção: a luta continua
    Nov 30, 2011 | Texto completo

    Segundo a especialista Mina Seinfeld de Carakushansky, a dependência química é uma forma moderna de escravidão, e apenas políticas sérias e equilibradas são capazes de controlar o problema.
    O Relatório Mundial sobre Drogas 2011, divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas em Nova York, mostra que a chamada “guerra contra as drogas” não está perdida. Pelo [...]

  • Ronaldo Laranjeira: “Governo subestima o problema do crack”
    Jun 9, 2011 | Texto completo

    “Achar que a SENAD busca a solução para o crack é uma grande bobagem”, diz Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP

Cultura do Meio Ambiente »