Aspectos Sociais no uso Abusivo de Drogas

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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O consumo de drogas é tão antigo quanto a humanidade, relatado inclusive na Bíblia. Sua ocorrência ao longo dos anos foi caracterizada como um fenômeno cultural.

Porém, o que se observa nos dias de hoje é uma expansão tão grande e rápida que podemos falar em epidemia. Neste sentido uma questão se impõe: O que está levando a sociedade atual a uma utilização excessiva de drogas ???

Ao tratar deste assunto tão complexo, como o uso abusivo de drogas, não podemos menosprezar aspectos importantes como a predisposição orgânica, a estrutura de personalidade e a dinâmica familiar. Da mesma forma, não podemos minimizar a influência da sociedade moderna no uso e abuso de drogas.

Para se “desdrogar” a sociedade são necessárias transformações estruturais e qualitativas. Falar em prevenção é falar em uma sociedade menos patológica.

Fazendo uma breve comparação do uso de drogas analisados por estudos históricos-antropológicos de antigamente e nos dias atuais constatamos que:

Antigamente: o uso de drogas era um elemento de integração. Utilizado na maioria das vezes por adultos, com objetivos místicos, religiosos, intelectuais ou guerreiros por certos grupos e em certas circunstâncias. A droga estava inserida inclusive num contexto sócio-cultural, ou seja, a maconha era utilizada no oriente, o álcool no ocidente.
Atualmente: o uso de drogas é utilizado como elo desintegrador, ocupando o espaço da intimidade das relações interpessoais. A droga é tratada mais como uma questão econômica do que de saúde pública. A plantação, produção e comércio das drogas envolve quantias astronômicas, atingindo o terceiro lugar na classificação dos “negócios” que mais movimentam o mercado financeiro a nível mundial.

Existem alguns pontos essenciais para a compreensão do lugar que a droga ocupa na nossa sociedade.

1. O ritmo acelerado de transformações (o computador de seis meses atrás hoje é considerado obsoleto); a descartabilidade de objetos e pessoas. Não há tempo e espaço para assimilar de forma produtiva, transformações vertiginosas.
2. A fragilidade dos laços primários e a escassez de modelos de identificação dificultam o processo de introjeção de valores. Quem confia com orgulho do seu governo ou da polícia ?
3. A prevalência de uma ordem social que tende a hiper-racionalização e normatização. Nosso comportamento deve ser adequado e lógico e nossos sentimentos desvalorizados.
4. A medicalização da vida oriundo da crença dos poderes mágicos dos remédios. Comeu demais, bebeu demais, não dorme, está angustiado??? Tem sempre um remédio para sua dor. A substância química substituindo o conforto humano. Não é à toa que o remédio mais consumido dos últimos quinze anos é o diazepan.

Dizer que a droga é a causa da deteriorização é , no mínimo, uma inversão de valores. É o próprio sistema social que configura o terreno social que predispõe a proliferação das toxicomanias. Qualquer enfoque: individual, familiar, político, social ou espiritual avaliado individualmente será limitado.

Fonte: Ncanal


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