Coca transgênica

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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Nos últimos cinco anos, a campanha de combate ao narcotráfico financiada pelos Estados Unidos reduziu pela metade a área plantada com coca na Colômbia.

 

A surpresa é que isso não afetou o volume de cocaína exportado pelo país, que responde por dois terços da produção mundial. Um relatório da polícia secreta da Colômbia, divulgado no fim do mês passado, resolveu o mistério: a redução da área plantada foi compensada folgadamente pelo aumento da produtividade por hectare. Com a ajuda de agrônomos estrangeiros, diz a polícia, os traficantes desenvolveram uma variedade de coca com 3 metros de altura, o dobro do arbusto original. A maior quantidade de folhas permite que cada pé produza matéria-prima para uma quantidade oito vezes maior da droga. E não é só isso: o tamanho e o vigor da planta a tornam resistente ao herbicida usado para destruir as plantações.

 

A nova variedade é conhecida como boliviana negra. A polícia não sabe se ela é o resultado da seleção natural, método tradicional que leva em média vinte anos para dar bom resultado, ou se trata de planta geneticamente modificada em laboratório. São fortes as suspeitas de que seja um produto transgênico. O herbicida usado na destruição das plantações de coca, conhecido pelo nome comercial de Roundup, tem como base a substância glifosate. Desde 1996, a Monsanto, a empresa americana que desenvolveu e patenteou as sementes transgênicas, vende soja modificada exatamente para resistir ao glifosate. Ou seja, os produtores podem espalhar herbicida à vontade, matando todas as ervas daninhas e abrindo espaço para o desenvolvimento da soja. Existe a possibilidade assustadora de que a fumigação paga pelos americanos esteja na realidade ajudando a melhorar a produtividade da coca. “A tecnologia é conhecida”, disse a VEJA o cientista Ian Heap, do Instituto Internacional de Pesquisa de Plantas Resistentes a Herbicidas, nos Estados Unidos. “O que surpreende, na realidade, é que os narcotraficantes tenham demorado a recorrer aos transgênicos.”

 

A modificação genética seria uma explicação razoável para o paradoxo colombiano. Estima-se que a campanha antidrogas tenha destruído 92% das plantações do estado de Putumayo, o principal produtor de folha de coca do país. Ainda assim, a Colômbia se manteve firme no posto de maior fornecedor mundial de cocaína, com 600 toneladas por ano e faturamento anual estimado em mais de 1 bilhão de dólares. A prova de que o abastecimento colombiano continua intocado é o preço da cocaína, que não subiu. Ao contrário. Nos Estados Unidos, onde mais se consome a droga, o grama é vendido em média por 53 dólares ? uma queda de 31% em relação a 2000.

 

Fonte: Veja.com


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