Efeitos cerebrais da maconha: resultados dos estudos de neuroimagem

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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O consumo de maconha fica somente atrás do consumo de álcool e de cigarros, constituindo-se assim na droga ilícita mais utilizada no mundo.

 

A maconha pode produzir vários efeitos em humanos: euforia, indisposição, sedação, alteração da percepção do tempo, alteração nas funções sensoriais, prejuízo do controle motor, do aprendizado e prejuízo transitório na memória de curto prazo, além de boca seca e taquicardia. Efeitos adversos incluem crises de ansiedade, ataques de pânico e exacerbação de sintomas psicóticos existentes. Apesar disto, apenas um pequeno número de estudos investigaram as conseqüências neurotóxicas de longo prazo do uso da maconha.

 

As técnicas de neuroimagem se constituem em poderosos instrumentos para investigar alterações neuroanatômicas e neurofuncionais e suas correlações clínicas e neuropsicológicas. Seu advento foi de grande ajuda para o estudo direto in-vivo dos efeitos da maconha na estrutura e funcionamento cerebral. Dessa forma, objetivo de artigo recentemente publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria foi revisar estudos que tenham usado técnicas de neuroimagem para tentar identificar os efeitos cerebrais agudos e crônicos da exposição à maconha no homem.

As técnicas de neuroimagem utilizadas foram de dois tipos: neuroimagem estrutural (tomografia computadorizada e ressonância magnética), e neuroimagem funcional. A neuroimagem funcional é muito importante em relação ao uso da maconha, uma vez que esta droga induz mudanças comportamentais que provavelmente estão relacionadas a alterações na função cerebral, e as técnicas funcionais (positron emission tomography – PET, e single photon emission computed tomography – SPECT) permitem o mapeamento do fluxo sangüíneo ou do metabolismo de glicose no cérebro, índices que estão intimamente ligados ao funcionamento cerebral e, por isso, podem ajudar a identificar as áreas cerebrais responsáveis pelas mudanças comportamentais associadas com a intoxicação induzida pela maconha. A maior parte dos trabalhos de neuroimagem funcional investigou o metabolismo ou o fluxo sangüíneo cerebral regional (FSCr) durante a condição de “repouso” e não durante realização de determinada função cognitiva.

 

A revisão encontrou que estudos de neuroimagem estrutural apresentaram resultados conflitantes, com a maioria dos estudos não relatando atrofia cerebral ou alterações volumétricas regionais. Contudo, há uma pequena evidência de que usuários de longo prazo que iniciaram um uso regular no início da adolescência apresentam atrofia cerebral assim como redução na substância cinzenta. Estudos de neuroimagem funcional relataram aumento na atividade neural em regiões que podem estar relacionadas com intoxicação por maconha e alteração do humor, e redução na atividade de regiões relacionadas com funções cognitivas prejudicadas durante a intoxicação aguda.

 

Os autores chegaram à conclusão que a questão crucial, se efeitos neurotóxicos residuais ocorrem após o uso prolongado e regular de maconha, permanece obscura, não existindo até então estudo endereçado a esta questão diretamente. Estudos de neuroimagem com melhores desenhos, combinados com avaliação cognitiva, podem ser elucidativos neste aspecto.

 

Autor: Crippa, JA; Lacerda, Acioly L T; Amaro, E.

Fonte: Revista Brasileira de Psiquiatria, vol.27 n. 1, março de 2005, 70-78. & OBID


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