Panorama atual do uso de cannabis, procura por tratamento e perfil dos usuários

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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O termo cannabis é utilizado para definir vários produtos obtidos através da planta cannabis ou cânhamo (cannabis sativa L.), uma espécie originária da Ásia Central, que hoje em dia é produzida em várias partes do mundo. As variedades de cannabis sativa correspondem uma vasta gama de características químicas e biológicas.

 

Encontram-se três tipos de cannabis no mercado europeu: cannabis herbácea, que consiste nas folhas, caules e botões florais secos da planta; a resina de cannabis que constitui as secreções castanhas ou pretas resinosas dos botões florais, habitualmente vendidas sob a forma de blocos prensados e por último e menos comum, o óleo de cannabis, que é um líquido espesso e viscoso.

 

A cannabis tem uma longa história de utilização pelo homem e, por vezes, tem sido utilizada como fonte de fibras para a confecção de tecidos e cordas, como parte de rituais religiosos, planta medicinal e narcótico. A cannabis é hoje a droga ilícita mais comumente produzida, traficada e consumida em todo o mundo. Apesar de sua longa história de consumo, o impacto deste sobre a saúde pública até os dias atuais parecia limitado. Recentemente, provas da associação entre o consumo de cannabis, em especial o consumo intenso, e uma variedade de problemas de saúde e sociais têm aumentado. Verifica-se, também, uma preocupação crescente em relação a um aumento visível do número de consumidores de cannabis que procuram ajuda em serviços especializados. No entanto, a dimensão e a natureza dos problemas encontrados no seio das populações de consumidores continuam obscuras. Também não é claro até que ponto as informações estatísticas sobre o assunto aumenta a procura por tratamento ou gera mudanças na condução e encaminhamento de consumidores.

 

Para responder a estas questões, os países Europeus realizam inquéritos periódicos a fim de considerar a evolução e desenvolvimento dos sistemas de informação e até a natureza mutável da própria droga.

 

Aumento do consumo de cannabis

 

O consumo de cannabis ocorre, para a maioria dos consumidores, apenas ocasionalmente ou por períodos de tempo limitado. No entanto, há preocupação quanto ao fato de estar aumentando o número de jovens predominantemente do sexo masculino que consomem esta droga de forma mais intensa. Na União Européia, por exemplo, estima-se que cerca de 3 milhões de pessoas usam cannabis diariamente.

 

Em quase todos os países da Europa, as estimativas de consumo recente de cannabis (últimos 30 dias) compreendem 3-12% nos adultos jovens (15-34 anos) e 1-7% da população adulta (15-64 anos), sendo as estimativas mais altas na República Checa, Espanha, França, Irlanda e Reino Unido. As pesquisas revelam que uma porcentagem entre 0,9% e 3,7% dos adultos jovens consome esta droga com freqüência (diariamente ou quase). As taxas de consumo diário entre os jovens do sexo masculino podem ser mais elevadas: segundo um inquérito anual com jovens entre os 17 e os 19 anos na França, 9,2% dos homens e 3,3% das mulheres consomem cannabis diariamente.

 

É necessário, portanto, uma melhor investigação sobre os problemas sociais ou de saúde decorrentes deste uso e quantos destes procuram ajuda.

 

Potência da cannabis: esta droga está se tornando cada vez mais forte?

 

Tem-se especulado o fato de o número crescente de pessoas que procuram tratamento para problemas relacionados ao consumo de cannabis poder, em parte, estar relacionado ao crescente aumento da potência da droga. Alguns relatórios chegam a referir que a cannabis atualmente disponível é 10 vezes mais potente que no passado. A potência da cannabis é estabelecida pela quantidade do ingrediente ativo da substância, o delta-nove-tetrahidrocanabinol (THC), presente na droga.

 

Há poucas provas, portanto, do aumento significativo dessa potência. Os Países Baixos são o único país onde se verifica um aumento significativo da potência real (calculada em 16%), podendo ser explicada pelo aumento do consumo de folhas de cannabis de produção caseira (cultivadas com técnicas hidropônicas).

 

Problemas de saúde graves como ataques de pânico poderão ser mais freqüentes do que agora entre os consumidores de cannabis de potência elevada, o que poderá trazer conseqüências na procura por tratamento.

 

Aumento da procura por tratamento

 

Os centros de tratamento europeus para toxicodependência recebem cerca de 30% dos indivíduos que referem o consumo de cannabis como o seu principal problema. O número de consumidores de cannabis que procuram tratamento parece aumentar continuamente.

 

Perfil dos consumidores de cannabis em tratamento

 

Comparativamente aos pacientes em tratamento por outros problemas relacionados ao uso de drogas, os consumidores de cannabis são mais novos (em média, 22-23 anos) e predominantemente do sexo masculino (83%). Apenas um número relativamente baixo de indivíduos muito jovens dá entrada em centros especializados no tratamento da toxicodependência, mas, entre aqueles que o fazem, muitas vezes o principal problema é o consumo de cannabis.

 

O cannabis é responsável por 80% dos pedidos de tratamento feitos por indivíduos com menos de 15 anos e por 40% dos pedidos feitos por indivíduos entre 15 e 19 anos.

 

Na Europa, aproximadamente 45% dos pacientes em tratamento por consumo de cannabis estudam e 24% trabalham. Por outro lado, os pacientes consumidores de cannabis, referem ter habitação estável e a maior parte destes são enviados para o tratamento pela família ou amigos, serviços sociais ou sistema judicial, sendo pouco freqüente a procura de tratamento por iniciativa própria.

 

Comorbidade com outros problemas psiquiátricos

 

O consumo de drogas está, freqüentemente, associado a outras queixas, como doenças Infecto-contagiosas (HIV, Hepatite C) e problemas sociais. Menos conhecidos são os problemas de saúde mental relacionados à dependência que podem tornar o tratamento mais difícil.

 

Segundo o presente relatório europeu um grande número de consumidores em tratamento possui comorbidade psiquiátrica. Entre 50% e 90% destes consumidores sofrem de transtorno de personalidade e cerca de um quinto apresenta um quadro psiquiátrico mais complexo.

 

Portanto, tanto os serviços de tratamento de drogas como as equipes psiquiátricas têm dificuldade em identificar pacientes que apresentam comorbidade, já que indivíduos com dependência de drogas escondem, muitas vezes seus sintomas psiquiátricos ou este são confundidos com efeitos da substância.

 

Os especialistas alertam para a necessidade de uma abordagem bastante estruturada e integrada destes indivíduos.

 

Fonte: European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction’s Handbook for surveys on drug use amon


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