Prejuízos causados pelo uso abusivo do Ecstasy - Parte I

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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O ecstasy ou MDMA (3,4-Methylenedioxymethamphetamine) continua sendo utilizado por milhares de indivíduos apesar das crescentes evidências dos prejuízos causados por esta substância. O ecstasy é uma droga ilegal, de efeitos estimulantes e alucinógenos, geralmente utilizada com a finalidade de se obter: sensação de bem-estar, excitação e alterações na senso-percepção.

 

O ecstasy foi inicialmente utilizado por jovens freqüentadores de raves (festas que duram um dia inteiro e que são animadas por música eletrônica) mas atualmente vem sendo utilizado em contextos diversos. De acordo com uma importante pesquisa sobre saúde e uso de drogas recentemente realizada nos EUA (National Survey on Drug Use and Health), mais de 10 milhões de americanos fizeram uso de ecstasy pelo menos uma vez na vida.

 

O ecstasy não é uma droga nova, ela vem sendo estudada desde os anos 80 e desde então tem demonstrado ser uma substância perigosa, por exemplo, o MDMA pode levar a um aumento da temperatura corpórea podendo inclusive levar a parada cardíaca. Outras complicações relacionadas a seu uso são: crise hipertensiva, taquicardia e lesão endotelial (parte do vaso sangüíneo que sintetiza e libera substâncias importantes ao organismo que atuam tanto na coagulação sanguínea quanto na pressão arterial).

 

Estudos em animais demonstraram que o MDMA pode lesar neurônios. Embora estes estudos ainda sejam inconclusivos em humanos, usuários crônicos de ecstasy apresentaram déficit cognitivo, incluindo problemas de memória.

 

O NIDA (National Institute on Drug Abuse) vem realizando inúmeras pesquisas sobre o MDMA e os prejuízos decorrentes de seu uso. O artigo desta semana sintetiza os principais achados destes estudos.

 

O que é MDMA ou ecstasy?

 

MDMA é uma droga ilegal que atua como estimulante e alucinógeno, produzindo um efeito energético e de alteração da senso-percepção que pode ser exemplificado por um aumento do prazer ao estímulo táctil. A sigla MDMA representa um acrônimo para a substância química que o compões (3,4-methylenedioxymethamphetamine), esta substância é ingerida oralmente, na forma de comprimido ou cápsula, e seus efeitos duram aproximadamente de 3 a 6 horas. Geralmente, os usuários desta substância, ingerem de 1 a 2 comprimidos por vez sendo que, cada comprimido contém aproximadamente 60 a 120 mg de MDMA.

 

Não é incomum que usuários de ecstasy repitam a dose da substância após sentir a diminuição de seu efeito.

 

O MDMA pode afetar o cérebro alterando a atividade de seus mensageiros ou neurotransmissores. Pesquisas em animais demonstraram que o MDMA, em doses moderadas ou altas, atua sobre as células que contém serotonina podendo danificá-las, além disto, o MDMA pode interferir na capacidade corpórea de controlar a temperatura, inclusive, em alguns casos, levando a morte.

 

O MDMA também interfere na liberação da norepinefrina que por sua vez altera o ritmo cardíaco e promove um aumento da pressão sangüínea.

 

Muito embora o MDMA seja conhecido universalmente como ecstasy, os pesquisadores evidenciaram que na maioria das vezes, os comprimidos de ecstasy não contêm apenas MDMA, mas uma combinação de outras drogas. Entre as substâncias encontradas, podemos citar a metanfetamina, cafeína, dextrometorfan (anti-tussígeno), efedrina, e cocaína, sem contar que, como outras drogas de abuso, o MDMA é raramente utilizado sozinho, os usuários o misturam (ou o ingerem?) com outras substâncias como o álcool e a maconha. Breve histórico do MDMA

 

O MDMA foi desenvolvido na Alemanha em 1900 como um componente a ser utilizado na síntese de outros medicamentos. Durante os anos 70, alguns psiquiatras americanos começaram a utilizá-lo com finalidades terapêuticas, a despeito da aprovação do U.S. Food and Drug Administration (FDA). Apenas no final do ano 2000, o FDA aprovou, pela primeira vez, o uso do MDMA em um ensaio clínico. O objetivo deste estudo era verificar a eficácia desta substância no tratamento de indivíduos com transtorno de estresse pós-traumático.

 

A “penicilina da alma”, como o ecstasy era chamado pelos psiquiatras no início dos anos 70, era visto como um medicamento com a propriedade de aumentar a capacidade de comunicação do paciente, assim como uma melhor conscientização de seus problemas. Nesta mesma época, houve um aumento considerável no uso do MDMA em ambientes não clínicos.

 

Em 1985 o órgão americano responsável pelo controle de drogas proibiu a utilização do ecstasy, colocando-o na lista de drogas sem comprovação terapêutica.

 

Qual o impacto do uso do ecstasy nos EUA?

 

É difícil determinar o verdadeiro impacto do uso desta substância nos EUA, pois o ecstasy é geralmente utilizado em combinação com outras substâncias e não aparece nos protocolos tradicionais de atendimento e pesquisa. Apesar disto, o ecstasy parece ser uma droga que ganhou popularidade, principalmente entre os jovens com menos de 25 anos.

 

Em 2002, mais de 10 milhões de pessoas com mais de 12 anos referiram ter utilizado o ecstasy pelo menos uma vez na vida de acordo com a pesquisa americana sobre saúde e uso de drogas (National Survey on Drug Use and Health). O número de usuários freqüentes, em 2002, foi de aproximadamente 676.000 pessoas, sendo que, aproximadamente 77% destes tinham menos de 25 anos.

 

O número de casos de abuso de ecstasy no atendimento hospitalar de emergência aumentou em 94% de 1999 para 2001, sendo que, em 86% dos casos , o uso de outras substâncias como álcool, maconha, cocaína e heroína esteve presente.

 

Apesar destes dados, na pesquisa anual realizada pelo NIDA para se verificar a tendência do uso de drogas em adolescentes em idade escolar, nos últimos 2 anos, o uso do ecstasy diminuiu em 50 % em indivíduos do ensino médio e superior. Isto ocorreu, principalmente pela grande disseminação de informações dos prejuízos causados por esta substância.

 

Fonte: Site Álcool e Drogas sem Distorção


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