Ecstasy (MDMA): efeitos e padrões de uso relatados por usuários de São Paulo

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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Stella Pereira de Almeida e Maria Teresa Araújo Silva

 

Não havendo estudos sobre o uso de ecstasy no Brasil, o objetivo das autoras foi identificar efeitos e padrões de consumo de ecstasy entre usuários da cidade de São Paulo.

 

O Ecstasy é uma substância psicoativa muito usada pelos jovens devido seus efeitos prazerosos, estimulantes e alucinatórios. Esta substância atua no Sistema Nervoso Central (SNC) aumentando os níveis extra-celulares de serotonina e dopamina. Embora seja considerada uma droga segura, existem relatos de complicações sérias deste uso, incluindo hipertermia, desidratação, hipertensão severa, arritmias cardíacas e mortes.

 

Estudos realizados na Europa e Estados Unidos mostraram que o consumo de ecstasy está bem difundido nestes países e vem aumentado com o passar dos anos. Em 1995, um estudo europeu revelou a prevalência do uso de ecstasy na Finlândia e Reino Unido onde os índices foram de 0.2% e 13%, respectivamente. Nos EUA, a prevalência do uso de ecstasy em estudantes foi de 4.7%, no ano de 1999, o que demonstrou um aumento de 69% em relação aos dados de uma pesquisa realizada em 1997.

 

No Brasil, o consumo de ecstasy parece ser ainda restrito a determinados grupos e desconhecido por grande parte da população. No entanto, dados recentes demonstram que o consumo do ecstasy vem aumentando, o que também pode ser notado pela maior visibilidade da droga na mídia e pelo aumento no número de apreensões de comprimidos e laboratórios clandestinos nos últimos anos.

 

O ecstasy foi sintetizado pelo laboratório Merck, na Alemanha, em 1912, sem uma finalidade terapêutica definida. Décadas após, nos anos 70, alguns profissionais americanos sugeriram o uso desta substância no contexto psicoterapêutico, para melhorar o contato com o paciente, sua auto-estima e no favorecimento de insights. Pouco a pouco, a droga passou a ser consumida para a obtenção de prazer, principalmente entre os jovens clubbers freqüentadores de festas haves (festas embaladas pela música eletrônica e que duram a noite inteira). Em 1985, qualquer uso da substância, foi declarado ilegal no EUA.

 

No Brasil, as primeiras festas haves ocorreram no ano de 1995 organizadas por DJs brasileiros vindos de Londres.

 

Como a substância é ilegal, os comprimidos de ecstasy não são submetidos à inspeção farmacológica e com isso levam em sua composição uma variedade de substâncias que podem incluir ou não o MDMA. Os efeitos do ecstasy iniciam 20 minutos após a ingestão e duram aproximadamente 4 a 8 horas. A maior parte dos usuários descrevem seus efeitos como agradáveis e prazerosos tais como euforia, sensualidade, loquacidade e facilitação do contato. Os efeitos desagradáveis do ecstasy são basicamente físicos, sendo os mais comuns, boca seca e taquicardia e dentre as complicações físicas, a hipertermia é a mais freqüente.

 

Os principais objetivos do estudo foram identificar padrões de aquisição e consumo e descrever os efeitos do ecstasy entre usuários da cidade de São Paulo.

 

Métodos

 

A amostra foi recrutada através da técnica de snowball formalizada por Goodman em 1961. Esta técnica consiste na obtenção de sujeitos para o estudo através da indicação dos indivíduos de uma amostra inicial.

 

A técnica foi utilizada, pois além da substância ser ilegal é pouco conhecida e difundida no Brasil.

 

Foram pesquisados 52 indivíduos de ambos os sexos que vinham utilizando ecstasy freqüente e recentemente. Os indivíduos foram avaliados por um questionário anônimo autoaplicável.

 

Resultados

 

A idade média dos participantes foi de 24 anos, sendo a amostra composta majoritariamente por indivíduos solteiros, com escolaridade superior e de classe média. Dos usuários entrevistados, 61,6% usava ecstasy pelo menos uma vez por semana, sendo que 50% consumia um comprimido a cada episódio de uso e 46% mais de um comprimido.

 

O uso se deu mais freqüentemente na companhia de várias pessoas (63%), em ambientes ligados ao lazer noturno, como raves (78,8%), lugares para dançar (69,2%) e festas (53,8%).

 

O ecstasy é geralmente adquirido de amigos ou conhecidos para dançar nesses locais. A grande maioria dos usuários utiliza ecstasy associado a outras drogas psicoativas (93,3%), em primeiro lugar a maconha, seguida por tabaco e LSD. A associação do ecstasy ao cannabis e/ou ao LSD indicou que os jovens preferiram adicionar efeitos alucinógenos aos efeitos do ecstasy.

 

Os efeitos atribuídos ao ecstasy foram principalmente positivos, ou seja, os usuários referiram sentirem-se mais alegres, próximo às outras pessoas, cheios de energia e sossegados.

 

Discussão

 

Os padrões de uso de ecstasy dos usuários de São Paulo descrevem um consumo recreativo grupal, e foram semelhantes a padrões descritos em estudos anteriores. A avaliação dos efeitos do ecstasy como positivos também está de acordo com os resultados da literatura.

 

De acordo com as autoras, do ponto de vista da “redução de danos” os lugares onde o uso de ecstasy é freqüente deveriam ser legalmente obrigados a disponibilizar bebedouros e ventilação adequada a fim de minimizar os riscos da intoxicação. Além disto, usuários e profissionais de saúde deveriam ser freqüentemente informados quanto às conseqüências do uso do ecstasy a longo prazo, possibilidade de adulteração dos comprimidos utilizados e procedimentos adequados no caso de overdose.

 

Fonte: Site Álcool e Drogas sem Distorção


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