Por que tratar?

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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A dependência de substâncias psicoativas (álcool e drogas) é uma síndrome médica bem definida internacionalmente, cujo diagnóstico é realizado pela presença de uma variedade de sintomas que indicam que o indivíduo consumidor apresenta uma série de prejuízos e comprometimentos devido ao seu consumo.

 

É considerada doença crônica, tal qual a hipertensão arterial e a diabetes, e como tal acompanha o indivíduo por toda sua vida. Como toda doença crônica, o tratamento é voltado para a redução dos sintomas, que afetam não apenas o paciente, mas toda a comunidade ao seu redor; períodos de controle da enfermidade são observados no tratamento, mas uma das características fundamentais é o retorno de toda a sintomatologia (recaídas) em alguns períodos da vida do indivíduo. Apesar dos prejuízos que o indivíduo passa a apresentar pelo uso de drogas, outra característica fundamental da dependência é o fato de o sujeito ainda assim manter o consumo ou freqüentemente a esse retornar. Perde-se, parcial ou totalmente, a capacidade de controlar o uso; a droga passa a controlar a rotina do indivíduo. A definição como síndrome implica uma série de sintomas que não necessitam estar todos presentes ao mesmo tempo para o diagnóstico ser realizado. Este fato resulta em uma variedade de quadros clínicos que se apresentam aos diferentes serviços de atendimento, garantindo as diferenças individuais entre os pacientes dependentes.

 

A dependência encontra-se classificada mundialmente entre os transtornos psiquiátricos, embora suas repercussões abranjam áreas de funcionamento não circunscritas à Medicina (social, psicológica, legal e criminal, educacional, etc). O tratamento deste transtorno psiquiátrico deve, portanto, incluir aspectos comuns a todos os indivíduos acometidos (aspectos comuns da população de dependentes), bem como aspectos individualizados (particulares) de cada paciente.

 

Uma primeira questão emergente sobre este tema delicado se impõe: por que tratar ? O tratamento de dependentes químicos, como conhecemos hoje em dia, já tem um longo percurso. O tratamento é uma das formas de minimizar os prejuízos que costumam ocorrer na vida do indivíduo, de seus familiares, de seus vizinhos e possíveis empregadores, do município onde este reside, enfim, da comunidade em que vive, de seu estado bem como de seu país.

 

Os custos da dependência incluem gastos pessoais e familiares, do sistema de saúde, de perdas laborais, de redução de impostos, do sistema judicial e correcional, de serviços policiais, exercendo um peso importante no orçamento nacional. Tratar a dependência significa investir para a redução destes gastos já citados e a literatura científica internacional vem repetidamente apresentando os resultados positivos deste investimento.

 

Os resultados do tratamento mais freqüentemente citados são a redução do consumo de substâncias, a diminuição na utilização de sistemas de saúde e a menor participação em comportamentos ilícitos, associados direta e indiretamente ao uso de drogas e álcool.

 

O tratamento da síndrome de dependência necessita, também, abranger todas as áreas de impacto do consumo sobre a vida do paciente. Como suas conseqüências são de diferentes dimensões, uma abordagem multiprofissional passa a ser necessária para que o tratamento seja realmente eficaz.

 

Texto extraído da 2ª edição da série diálogo - Uma Publicação Oficial da SENAD


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