A cocaína não está relacionada com o sucesso?

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Drogas Psicoativas


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Flávio Gikovate

 

A Cocaína, pelo modo como apareceu para uso de pessoas não-delinqüentes e de comportamento socialmente adequado, trouxe a impressão de que era a droga de escolha dos vencedores.

 

Parecia que ela iria substituir a Champanhe nas comemorações, especialmente nas dos jovens profissionais bem sucedidos - os Yuppies dos anos 80, jovens que fizeram uma trajetória oposta às dos seus antecessores: não só não negaram nem criticaram os valores da sociedade burguesa e consumista como a assumiram como sendo ótima, e trataram de ser os vencedores exatamente dentro das regras do jogo. Talvez em momento algum da história a juventude tenha sido tão conservadora quanto nos anos 80. Os próprios pais desses jovens os chamavam de “caretas” !

 

Aí veio o sucesso para eles. E o sucesso tinha de ser ostentado. Tinha de ser representado pelo carro da marca tal, pelo relógio qual, pela roupa da griffe X, pelas viagens, pelos barcos, por freqüentar tantos e tais restaurantes, e assim por diante. E a cocaína conseguiu seu lugar entre as características do sucesso. Isso por várias razões. Uma delas, por ser cara e, portanto, estar de acordo com a filosofia yuppie de que se deve buscar tudo aquilo que só uns poucos podem comprar - é a forma de se destacar pelo poder econômico. A outra razão é a de ser a cocaína um forte estimulante, coisa que, como já foi dito, criava condições para que os jovens se divertissem durante a noite e fossem capazes de trabalhar pesado durante o dia. Eles queriam agarrar o mundo com as mãos. Não conseguiram.

 

Há ainda uma terceira razão. O sucesso é coisa complicada, especialmente atingido muito rapidamente, ainda na mocidade. Ele traz consigo tendências destrutivas, sabotadoras do próprio sucesso. Essas tendências devem vir disfarçadas em coisa boa, que é como todas as obras do demônio se mostram - ninguém ira morder um doce envenenado se ele não tiver uma aparência ótima; até para o indivíduo se enganar isso é necessário. A droga corresponde a essa dupla função: aparentemente é coisa boa, ajuda o indivíduo a “tolerar” bem o sucesso, e ainda por cima tem efeitos, a médio prazo, destrutivos, que é a parte da sabotagem e que se refere acima.

 

Na verdade é preciso medir as coisas pelos resultados, pelos fatos, e não através de discursos. Esses jovens tornaram-se bem sucedidos graças a seu esforço, à sua determinação, à sua vontade de dar certo na vida profissional. Eles primeiro tiveram sucesso, depois conheceram as drogas. Aliás, antes disso não teriam tido nem mesmo o dinheiro para consumi-las. O fato não é que eles deram certo graças à cocaína. Nem apesar da cocaína. Já eram pessoas de destaque antes de a cocaína ter entrado em suas vidas. A partir daí, podem ter se sustentado por algum tempo nas boas posições que tinham, apesar da droga. Mas de certo ponto em diante começaram a cair. Uns perceberam a “fria” na qual tinham entrado e se afastaram definitivamente da cocaína; tiveram força para isso; conseguiram retomar suas vidas profissionais. Outros, envolvidos com a droga de uma forma mais profunda, mais difícil de se livrar, com maior dependência, arruinaram-se profissional, social, sentimental e humanamente. Eram ganhadores e se tornaram perdedores devido ao efeito maléfico da cocaína.

 

Trecho do livro “Drogas Opção de Perdedor” - de Flávio Gikovate


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