Crack avança e arrasa agora a classe média

3 Novembro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Informações, Para os Pais


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Droga atinge diferentes profissionais com ensino superior; apreensões feitas pela polícia subiram 36,5%

Andréa Silva

Logo no início, quando o crack surgiu no país, em 1990, era conhecido como o “lixo da cocaína”. Com preço mais acessível, comercializado em pequenas pedras, o subproduto atraía principalmente os moradores de rua e mendigos. Quase duas décadas depois, a droga se popularizou: desceu os morros, invadiu os lares da classe média e já bate às portas das pessoas de melhor posição social.

De poder devastador, o crack está destruindo vidas e arrasando famílias. Na última semana, a droga ganhou força nos noticiários de crime, com prisões e mortes. Na madrugada do último dia 24, o músico Bruno Kligierman de Melo, 26, e a namorada Bárbara Chamun Calazans Laino, 18, estavam no apartamento dele, no bairro Flamengo (zona Sul do Rio de Janeiro). Após fumar uma pedra de crack, o músico matou a garota estrangulada. O pai dele chamou a polícia e o rapaz foi preso.

Na madrugada de domingo, o prefeito do município de Raposos, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi preso com pedras de crack, no bairro Bonfim, região Noroeste da capital. A situação é preocupante e o avanço do crack na capital mineira é uma constatação confirmada pelos números. No Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), a quantidade de dependentes químicos de crack atendidos este ano já superou aos de álcool. É a primeira vez que isso ocorre desde a criação do CMT há 26 anos. Do total de 886 pessoas acolhidas no centro, 342 (38,6%) são usuárias do subproduto da cocaína e 320 (36,12%) são vítimas do alcoolismo (ver quadro na página). O número de usuários de crack na cidade é estimado em aproximadamente 144 mil pessoas.

Conforme a diretora do CMT, Raquel Martins Pinheiro, o atendimento dos dependentes de crack no centro começou em 1993, mesmo período de relatos da chegada da droga em Belo Horizonte. Nestes 16 anos, o perfil dos pacientes usuários é quase o mesmo: homens (80%), solteiros, idade entre 18 e 35 anos. A mudança atual envolve a escolaridade e a condição social. Até 2006, a maior parte atendida era de pessoas desempregadas com o primeiro grau incompleto. A partir de 2007, a droga passou a atingir profissionais de várias áreas, com formação superior.

O número de ocorrências de apreensões de crack teve um crescimento de 36,58% em um ano na capital. Segundo levamentos da Secretaria de Estado de Defesa Social, em 2008, foram 2.938 registros policiais, contra os 2.151 em 2007. De janeiro a outubro deste ano, já são 1.389 ocorrências. “Trabalhamos com intervenções rígidas para coibir o avanço do crack, que está à beira de se transformar em uma epidemia”, disse o major Idzel Fagundes, do Comando de Policiamento da Capital (CPC).

Entorpecente é o mais danoso do ponto de vista social

Segundo o coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Segurança Pública da PUC Minas, Luiz Flávio Sapori, o crack chegou em todos os 34 municípios da região metropolitana de Belo Horizonte[há dez anos e avança pelo interior de Minas.

“O crack é, das drogas comercializadas, a mais danosa do ponto de vista social. Essa substância tende a promover mais a violência nas cidades, particularmente, homicídios e roubos. E esses danos não são apenas pelos efeitos químicos, mas por ser uma droga aparentemente barata”.

De acordo com ele, o crack tende a deteriorar as trajetórias profissional e pessoal dos dependentes. “O crack se transformou na principal substância ilícita comercializada no país.” (AS)

Furto para sustentar vício

No início do ano, o empresário M.J.M., 61, e a mulher dele, M.S.M, 40, foram surpreendidos com uma revelação. Padrasto e mãe de um adolescente de 17 anos, eles descobriram que o garoto, aparentemente tranquilo, era dependente do crack e furtava para pagar uma dívida de R$ 1.500 a traficantes.

Sem alternativa, o empresário e a mulher optaram pela internação involuntária do filho, em uma clínica em São Paulo. O procedimento custou R$ 15 mil. “Nossa esperança é a reabilitação”, revelou a mãe. (AS)

Fonte: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=125595


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