“Lutei contra as drogas por toda a minha vida”
14 June 2010 | Publicado por Editor BRAHA em Informações, Para os Jovens
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Por Filipe Duarte Santos
Os olhos fixam-se longe quando se fala na droga. Jeff venceu: “No meu tempo via-se o carácter de uma pessoa na forma como surfava”
Aos 61 anos, Jeff Hakman tem aquele aspecto de avô simpático, em forma. A vida de surfista está-lhe na cara, é uma lenda que venceu as maiores ondas do mundo, quando o mundo ainda não sabia o que era o surf, mas também é um homem que quase destruiu a vida com a dependência da droga. Os olhos fixam-se numa qualquer imagem quando lhe perguntamos se podemos falar sobre o assunto. “Lutei contra drogas toda a vida, foi uma doença, mas o surf também foi uma boa terapia”, começa por dizer ao i, em Cascais, onde acompanhou Mark Richards e Tom Carroll num evento da Quiksilver.
Em 1966 ainda não havia circuito mundial mas Hakman já era considerado a referência. Tinha 18 anos. Nascido na Califórnia, mudou-se para as ilhas do Pacífico e transformou os seus dias. “Ao princípio não gostava de surfar, tinha oito anos e o meu pai obrigava-me, não havia fatos, tinha frio, pesava uns 35 kg e a prancha uns 20! Mas no Havai tudo mudou, evoluiu e comecei a ganhar”. Essas vitórias apareceram nas ondas referência de então e de hoje, como Pipeline, daí que entre 1974 e 1975 tenha sido considerado um campeão do mundo oficioso. O reconhecimento era unânime, deu-lhe notoriedade e capacidade para lançar a Quiksilver nos Estados Unidos. “Conheci a marca na Austrália, era uma loja com duas miúdas a vender; consegui a licença para a América com o Bob McKnight [ainda hoje na empresa] e o negócio explodiu. Em 1984 fiz o mesmo na Europa.”
Jeff acabou por vender as participações no negócio à medida que a dependência das drogas o fez entrar em depressão. “Passei pelo programa dos 12 passos, foi terrível, mas o contacto com a água, as viagens de surf com os amigos, pelas Mentawai e pela Indonésia, foram a forma de escapar”, conta. Tentou viver na Austrália, mas foi depois do regresso ao Havai que estabilizou. Afinal, foi lá que tudo começou. “O surf era diferente. No meu tempo via-se o carácter de uma pessoa na forma como surfava. ‘Ó, lá vai o Terry Fitzgerald, lá vai o Gerry Lopez!’ [outros nomes míticos]. Era atitude, hoje tem tudo a ver com desempenho físico, as manobras tornaram-se mecânicas”. Volta e meia também se ouvem histórias de droga no circuito. Nada de novo. “Há tanta gente que tem o problema e não sabe. Se soubessem que precisam de combatê-lo já era bom”.
Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/63777-jeff-hakman-lutei-contra-drogas-toda-minha-vida
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