Cocaína e a Família

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Informações


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Familiares compartilham genes que podem contribuir para o abuso de drogas. Isto é verificado na dependência do álcool, quando se observa que gêmeos separados ao nascimento têm grande concordância no diagnóstico de Dependência de álcool quando atingem a adolescência ou a idade adulta. Por outro lado, familiares também compartilham o mesmo meio ambiente, cultura e eventos vitais, havendo a possibilidade da aprendizagem de comportamentos, inclusive de consumo de álcool e drogas.

 

A Dependência de substâncias psicoativas é definida como um transtorno individual. Muitos especialistas aceitam, porém, o conceito da dependência como doença familiar, por atingir diretamente não só o usuário, mas aqueles que o cercam. As reações familiares à dependência na família abrangem um enorme leque que vai desde a expulsão de casa até a aceitação do consumo dentro do ambiente familiar. Costumamos denominar este último de “FACILITAÇÃO” (favorecimento de comportamentos e atitudes relativos ao consumo de drogas), que sempre acarreta conseqüências desastrosas. Embora compreensível, aceitar que o familiar utilize qualquer tipo de drogas dentro de casa (geralmente para evitar as complicações legais), estimula os múltiplos comportamentos relacionados à intensificação do consumo, aceleração do desenvolvimento da dependência, dificuldade de trazer o indivíduo para o tratamento e ocorrência de complicações precoces (médicas, psicológicas e sociais). Entre os principais exemplos de facilitação encontram-se a liberdade excessiva, a preocupação em ocultar as falhas que o usuário apresenta (desculpas para a escola, trabalho, etc.), falta de limites (dinheiro, horários, aceitação de agressividade) ou mesmo “fechar os olhos” para as demais conseqüências que o usuário passa a apresentar quando se torna abusador ou dependente.

 

A família necessita participar ativamente do tratamento e do processo de recuperação do dependente, como núcleo de suporte fundamental do indivíduo. Esta tarefa, porém, não é nada fácil, dados os prejuízos sofridos pelos familiares durante o curso da dependência do álcool e/ou drogas (agressões, furtos domésticos, doenças do paciente, etc.). Para tanto, paralelamente ao tratamento individual, uma intervenção terapêutica familiar é sempre aconselhável.

 

A tabela abaixo apresenta os principais modelos de intervenções familiares:

 

Tabela 3

Intervenções familiares no tratamento da Dependência:

MODELOS DE TERAPÊUTICA FAMILIAR

NÍVEL DE INTERVENÇÃO

NÍVEL DE INTERVENÇÃO

OBJETIVOS

OBJETIVOS

Orientação familiar

 

Orientar os familiares da filosofia e abordagens do tratamento individual Informar a família sobre o programa terapêutico e a inclusão do paciente e solicitar suporte familiar

Grupos psico-educacionais de familiares

 

Orientação sobre aspectos vivenciais (funcionamento familiar) com ênfase em aspectos do consumo e da dependência Informar familiares se aspectos de relações pessoais e como estas são relevantes no abuso e dependência de substâncias
 

Aconselhamento familiar

 

Contrato de tratamento familiar com o objetivo de resolução de problemas familiares específicos identificados no tratamento do dependente. Auxiliar na solução de problemas identificados pelos integrantes da família que sejam relacionados ao consumo de drogas e/ou álcool

 

Terapia familiar

 

Contrato terapêutico com a família para intervenções com o objetivo de tratar disfunções crônicas e sistêmicas. Abordar e procurar modificar áreas de comprometimento familiar (sistema), relacionando-as à dependência de substâncias psicoativas

Al-Anon

 

Grupo de auto-ajuda com enfoque familiar Não é considerado tratamento, porém possibilita compartilhar experiências com outras famílias de dependentes.

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