Como Ajudar um Amigo Sem Ser o ”Dedo-Duro”

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Informações


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Daniela Efeiche Zahr

 

Alguns de vocês já se depararam ou estão se deparando com a descoberta de que um amigo ou pessoa próxima é um usuário de droga. E aí? O que fazer neste momento?

 

Na enquête, sobre este tema, realizada no site, percebemos que a maioria dos votantes (51,33%), afirmam que falariam diretamente com a pessoa, o adicto. Outros 43,36%, falariam com a família do usuário. Uma pequena parcela (4,42%), mas ainda existente, se omitiria, e 0,88% falariam com a escola ou empresa na qual o individuo estuda ou trabalha.

 

E você? O que faria ou o que vai fazer?

 

Bem, diante de uma situação delicada como essa, vários aspectos podem ser analisados. Qual o seu grau de comprometimento, carinho, preocupação com aquele que está envolvido com as drogas?Qual a sua proximidade e intimidade com a pessoa? É importante saber as respostas destas perguntas, pois você vai entrar num campo complexo, que é o de ajudar uma pessoa que muitas vezes não acha que precisa de ajuda, o que pode abalar profundamente a relação de vocês. Antes de tomar qualquer atitude, perceba que você está lidando com um problema extremamente sério, e que nem sempre temos a felicidade de sermos bem recebidos pelo usuário, que em muitas das vezes nega seu estado avançado de dependência física e/ou psíquica. Porém, volto sempre a enfatizar, que a adicção é uma doença crônica e precisa ser levada a sério e tratada como tal. Não se esqueça disto!

 

Você pode se questionar se vai ser um “dedo-duro” ou um intrometido ou que vai perder a amizade da pessoa, caso você toque neste assunto… mas pense bem, não é bem provável que você perca a pessoa como um todo, se ela continuar a se envolver com as drogas?

 

Quando nos importamos verdadeiramente com uma pessoa, não deveríamos estar preocupados com o que egoisticamente poderíamos perder, mas sim o quanto podemos ajudá-la ao tentarmos mostrar um caminho diferente daquele que ela vem percorrendo e que aos poucos, ou rapidamente, vem destruindo a vida dela.

 

Agora que você já se deu conta de que nem sempre a ajuda é bem vinda e que sua tentativa pode ser bem frustrante; você ainda acha que vale a pena tentar?

 

Espero que sim, pois se não acreditarmos que existe recuperação para esta doença, é melhor permanecermos omissos, como os 4,42% da enquête, e não nos arriscarmos a sofrer junto com a pessoa com a qual nos preocupamos tanto.

 

Bem, tomada a decisão de que você quer realmente ajudar um amigo adicto, tente primeiro conversar com ele. Pois, ele é a pessoa mais interessada neste assunto, ele tem um problema muito sério, e enquanto ele não se der conta disso, fica extremamente difícil alguém ajudá-lo a fazer alguma coisa pela sua vida.

 

Converse francamente, tente entendê-lo, e ao mesmo tempo, mostre a ele que existem outras maneiras de resolver os problemas ou de curtir a vida. E que se o organismo dele já está dependente das drogas, faça-o lembrar da época em que essas substâncias não faziam parte de sua vida e que ele vivia muito bem sem elas. E que finalmente, existem tratamentos para que estas substâncias diminuam seu poder de sedução e dependência no organismo.

 

Incentive-o a pedir ajuda a pessoas de confiança, da família ou não, e a procurar ajuda de profissionais. Se hoje, existem técnicas, medicamentos e especialistas adequados para a recuperação, então porque não lançar mão delas?!

 

Se a resposta de seu amigo for completamente negativa, não hesite em avisá-lo que você poderá falar diretamente com a família dele. Sem ameaça, sempre mostrando que ele tem um problema e que você irá fazer de tudo para ajudá-lo.

 

Caso este seja o próximo passo, descubra quem é a pessoa na família em quem ele mais confia, um irmão(ã), um tio(a), pai, mãe, um primo(a), e recorra a ela. Lembre a este familiar que o vínculo de confiança e carinho são muito importantes na recuperação de um usuário.

 

O medo de ser o causador de uma decepção familiar pode ser uma grande barreira para que o adicto se abra com a família. No entanto, enquanto o usuário esconde-se atrás deste medo, o seu vício e sua vida tendem a se descontrolar. Será que vale a pena esperar ele resolver?

 

É uma luta pela vida. Se você ainda não havia descoberto um sentido para se envolver com um amigo desta maneira, até para ser chamado de “dedo-duro” por este mesmo amigo, acabamos mostrar que você pode estar ajudando uma pessoa querida a dar o primeiro passo. Depois é só acompanhar e torcer para que ele tenha força para continuar lutando pela própria vida.

 

Daniela Efeiche Zahr é psicóloga e membro da Equipe do Diga Não às Drogas


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