Melhor forma de combate às drogas é a educação

18 Junho 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Informações, Para os Educadores, Para os Pais


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Este foi o enfoque dado pela pesquisadora do Depto. de Farmacologia da Unifesp e secretária regional da SBPC-SP, Soraya Smaili, em palestra sobre drogas nesta quarta-feira na Reunião Regional de Recife

Luís Henrique Amorim escreve para o “JC e-mail”:

Para ela, é importante que os professores de Ensino Médio e Fundamental tenham conhecimento das características dos usuários. “As drogas estão presentes em nossas escolas. É importante levar este tema aos professores. A melhor forma de combater as drogas é a educação. É preciso haver um diálogo, não com uma linguagem repressiva e de imposição. Os jovens já não entendem isso.”

Para ela, os professores devem saber julgar qual é a droga em questão e explicar quais os problemas decorrentes do seu uso.

Mas o que são drogas, afinal?. Ela explicou que droga é qualquer substância capaz de modificar uma função em organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou comportamentais. E isso pode ser bom ou ruim.

Mas, para fazer efeito, a droga precisa ser absorvida pelo organismo, explica Soraya. Ela precisa chegar à corrente sanguínea.

Para isso, o caminho pode ser árduo ou extremamente simples. A via oral é a mais complicada e lenta. Precisa passar pelo nosso sistema digestivo. A absorção pode demorar até uma hora em média. A via inalatória, por o pulmão ser muito vascularizado, é bastante rápida. Há ainda as vias parenterais – subcutânea, intramuscular, endovenosa, e intrarterial – e a via retal. Todas elas com uma rápida absorção pelo organismo.

Mas como age uma droga dentro do organismo? Como um analgésico sabe que deve curar a dor do dedo mindinho do pé esquerdo?

Soraya explica que há um sítio de ação em relação às drogas. “Há diferentes tipos de células no corpo e cada uma tem diferentes receptores. Essa especificidade faz parte entre o reconhecimento das drogas pelas células.”

Até aqui - quando o analgésico age no dedo mindinho do esquerdo - tudo bem. Mas há drogas que tem uma atração especial – e às vezes fatal – pelo Sistema Nervoso Central. Essas são as drogas psicotrópicas que se dividem em depressoras, estimulantes e perturbadoras.

As depressoras são substâncias capazes de atrasar ou diminuir a atividade do cérebro, possuindo também alguma propriedade analgésica. Pessoas sob o efeito de tais substâncias tornam-se sonolentas, lerdas, desatentas e desconcentradas. Elas são encontradas no álcool, maconha e calmantes.

As estimulantes, encontradas nas anfetaminas, cocaína, nicotina e no café, aumentam a atividade cerebral. Há aumento da vigília, da atenção, aceleração do pensamento e euforia. Seus usuários tornam-se mais ativos ou “ligados”.

As perturbadoras, alucinógenas ou psicodislépticas são aquelas relacionadas à produção de quadros de alucinação ou ilusão, geralmente de natureza visual. Os alucinógenos não possuem utilidade clínica (como os calmantes). Os alucinógenos não se caracterizam por acelerar ou lentificar o sistema nervoso central. O cérebro passa a funcionar fora do seu normal e sua atividade fica perturbada. Isso acontece com o uso de chás a base de cogumelos alucinógenos como mescalina e psilocibina e sintéticos como o LSD.

O papel de algumas drogas psicotrópicas em moda ultimamente - Pra quem pensa que os problemas vem só das drogas ilícitas, Soraya alerta: “O álcool e o tabaco são tidos como extremamente danosos pela OMS.”

A maconha, apesar de ter efeitos terapêuticos benéficos, pode a longo prazo diminuir a motivação e causar apatia, além de ter efeitos sobre os pulmões e alterar os níveis de testosterona e pode causar infertilidade.

O álcool pode causar desde desvios de humor até o coma, que pode levar à morte pelo bloqueio respiratório central.

A cocaína, por sua vez, pode levar a problemas cardíacos, como o infarto do coração, e convulsão.

Publicado originalmente no Jornal de Ciência da SBPC (03/02/2005)


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