Associação entre cocaína e crack e a AIDS/SIDA

7 Outubro 2008  |  Publicado por Editor BRAHA em Medicina & Saúde


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Em 1981 o Centro Norte-Americano de Controle de Doenças (CDC) apresentava ao mundo a definição de uma nova patologia: a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS ou SIDA). Casos de morte que esperavam esclarecimento desde 1978 foram diagnosticadas. Pesquisas se multiplicaram, a atenção da opinião pública do mundo ocidental focalizou rapidamente o problema. Em poucos anos, o vírus responsável foi identificado e denominado HIV. Inicial e infelizmente, porém, a síndrome foi associada quase exclusivamente à homossexuais, impedindo a aplicação de métodos preventivos em relação a outras formas de transmissão, entre elas de fundamental importância, a via sangüínea. Esta é a responsável pela transmissão tanto de mãe para filho como pelo consumo de drogas por via intravenosa (IV) (principalmente heroína e cocaína). Em 1991, aproximadamente 28% dos casos diagnosticados com AIDS tinham a via intravenosa como a única forma de transmissão do vírus nos Estados Unidos.

 

O surgimento do HIV obrigou adaptações extremamente custosas tanto dos serviços de assistência a dependentes (não acostumados a enfrentar esta doença infecciosa) como de clínicos, inaptos para lidar com o rol de complicações da Dependência de substâncias psicoativas. Os usuários intravenosos de cocaína costumam consumir a droga em grupos, compartilhando a mesma seringa ou agulha. Desta forma, microorganismos presentes no organismo de um usuário são diretamente injetados no próximo. Este uso ritual possibilita a chegada direta do HIV ao sangue do usuário, sem a mínima proteção que é representada, por exemplo, pelas mucosas ano-genitais durante uma relação sexual insegura (sem o uso de preservativo).

 

Quando o crack surgiu, esta forma do consumo de cocaína se disseminou rapidamente, tomando uma parte do lugar anteriormente ocupado pelo uso IV, por apresentar o mesmo perfil de efeitos da cocaína (p.ex. ação imediata e grande concentração no sangue). Inicialmente pesquisadores viveram uma espécie de alívio, na esperança da redução da transmissão do vírus. Esta expectativa, contudo, foi uma grande frustração científica, pois embora tenha realmente havido uma redução da incidência de casos, esta foi muito menor que a projetada anteriormente.

 

Este fato se deve, provavelmente, às características intrínsecas das drogas de abuso: o consumo de qualquer droga (inclusive o álcool) reduz a capacidade do indivíduo evitar a continuidade do consumo (de qualquer substância) e, ao mesmo tempo, reduz a capacidade de evitar relações sexuais sem a prevenção adequada (uso de camisinha).

 

Outro aspecto que contribui para a transmissão, como explicado no capítulo anterior, é a relação entre consumo de cocaína e prostituição. A associação de consumo de drogas e AIDS resultou, também, em uma nova estratégia para a redução do impacto do problema, conhecida como “Redução de danos”, participante de programas de Saúde em praticamente todo o mundo ocidental, sem no entanto obscurecer o papel do tratamento voltado à abstinência completa e de todas as drogas.


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