No Ceará, plataforma de organizações quer combater o consumo do crack

2 Dezembro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Notícias


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Natasha Pitts

O aumento explosivo da utilização do crack e sua disseminação em todas as camadas da sociedade têm assustado. O consumo da substância não está mais atrelado a determinada classe social ou ao poder aquisitivo de quem as utiliza. Em poucos anos, o crack representa, hoje, um problema de saúde pública e desafia as diversas instâncias sociais.

No Brasil, diferentemente da Europa e dos Estados Unidos, o crack não é produzido a partir dos restos da cocaína. Ele é feito com a adição de solventes mais baratos que a pasta base. Por este motivo o preço é mais “acessível”.(as pedras de crack podem ser compradas até por um real). Mesmo assim, o lucro com sua venda pode se assemelhar ao lucro obtido com a venda da cocaína, devido à rápida e grande demanda.

Em Fortaleza, no Estado do Ceará, uma iniciativa intersetorial para combater o avanço do crack será apresentada na próxima sexta-feira (4), às 14h, na Assembléia Legislativa do Ceará. Trata-se da plataforma “Ceará contra o Crack”, uma ação que partiu do Governo do Estado para oferecer realidades e opções mais saudáveis e dinâmicas para os jovens cearenses. A plataforma conta com tecnologias sociais propostas pelas ONGs MH2O, Banco Palmas, Instituto Elos, PRECE, Embaixada Social, Ashoka/GMM, Artes em Redes, Instituto Esporte Educacional, CIEDS e FIRESO.

“A plataforma planeja nove grandes ações. Uma delas é a realização de campanha publicitária que tem como objetivo conscientizar e esclarecer sobre o que fazer quando há este problema na família, como se proteger, como identificar a droga. Outra iniciativa será voltada para a juventude. Queremos utilizar a linguagem dos jovens e mostrar para eles que quem usa crack é ‘otário’ e está perdendo a vida”, fala o coordenador institucional do Movimento Hip Hop Organizado do Brasil (MH2O), Johnson Sales.

Também será criada a Embaixada da Juventude, espaço físico em que o Governo poderá chegar até a comunidade com a implantação de políticas públicas. A iniciativa privada também poderá atuar nesta iniciativa oferecendo atrativos para que as comunidades tenham mais opções. Outra ação importante será a criação das Frentes Criativas de Trabalho, projeto em que os jovens vão ser incentivados, por meio de uma bolsa, a exercer trabalhos criativos durante um ano

Segundo Johnson Sales, mesmo não sendo conhecido há tanto tempo, o crack é utilizado no Brasil precisamente desde 1983. Contudo, até meados de 1990 a droga tinha sua comercialização proibida pelos traficantes nos morros do Rio de Janeiro e São Paulo.

“Os traficantes que controlavam as bocas de fumo proibiam a comercialização do crack pelos seus efeitos devastadores. Ela vicia muito rapidamente, enlouquece, causa distúrbios, faz com que a pessoa venda tudo o que vê pela frente e também roube para adquirir a droga. Tudo isso poderia chamar muita atenção para a comunidade e atrair a polícia”, explica.

No Nordeste, como não havia crime organizado com relação ao tráfico de drogas o crack entrou livremente na região. Na década de 1990, foi a vez da entrada da droga no Ceará. Hoje, o crack é um problema generalizado no Estado. De acordo com Johnson, a Pajuçara, distrito de Maracanau, região metropolitana de Fortaleza, capital cearense, é hoje a que apresenta os prejuízos mais sérios causados pela utilização do entorpecente. Logo em seguida vêm as comunidades do Grande Bom Jardim, do Serviluz e de São Miguel.

“A força destruidora do crack em todos os locais vem mostrar a ausência do Governo e de políticas públicas que gerem emprego, renda, educação, que viabilize o esporte e gere perspectivas principalmente para a juventude. Além dessa ausência, o Governo não coíbe a utilização da droga. A dimensão que o crack tomou tem hoje características de uma epidemia, pois afeta diretamente o sistema de saúde, de assistência social e de segurança pública”, esclarece.

Fonte: http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=43463


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