Contra drogas, especialista dos EUA defende exame de pupila

14 Setembro 2009  |  Publicado por Editor BRAHA em Notícias


Imprimir este Post  |  Enviar por E-mail

Hermano Freitas

 

Se os olhos são a janela da alma, o tamanho das pupilas pode revelar alterações no funcionamento do cérebro. É o que defende o diretor técnico do laboratório de toxicologia forense da Universidade de Miami, Chip Walls. Segundo o especialista, o exame de dilatação da pupila antecipa o indiciamento de um motorista por direção sob efeito de drogas antes do exame toxicológico.

 

“Perde-se, muitas vezes, mais de uma hora entre o momento da abordagem e o do exame do motorista. É um tempo precioso, que não pode ser perdido”, diz Walls.

 

Para facilitar o trabalho, a polícia de trânsito americana tem o cargo de especialista em detecção de drogas (Drug Recognition Expert). O profissional pode ficar nas delegacias ou acompanhar operações de fiscalização. A formação do profissional é normalmente de medicina legal.

 

Realidade muito diferente é vivida pelos policiais brasileiros. Um tenente que coordena a fiscalização de rodovias no interior de São Paulo afirma que o único equipamento que um policial rodoviário carrega para verificar as condições do motorista é o etilômetro. Exames in loco não são costumeiros, e o motorista que estiver sob suspeita de uso de substâncias proibidas é levado a uma delegacia e encaminhado a um médico.

 

O exame das pupilas permite a identificação precoce de motoristas dirigindo sob a influência de drogas estimulantes do sistema nervoso central, que não é tão facilmente detectável por exame de sangue ou saliva. Com o auxílio de uma lanterna, o olho é examinado para verificar a dilatação da pupila.

 

“Assimetria entre o tamanho das pupilas dos dois olhos pode indicar que algo muito errado acontece no cérebro, às vezes até a iminência de um derrame cerebral”, diz Walls.

 

Os EUA têm hoje, entre 800 mil 900 mil motoristas habilitados, o maior número no mundo. Uma pesquisa apontou em 2003 que 10% deles (32 milhões) admitiram dirigir sob efeito de álcool ou drogas. “É um problema mundial, o mesmo enfrentado aqui no Brasil, nos EUA e na União Européia”, diz o especialista.

 

Doidômetro

 

Desde maio, a polícia carioca dispõe de um laboratório móvel de Toxicologia para blitze. Apelidado de “doidômetro”, o equipamento foi desenvolvido pela Fiocruz com o objetivo de auxiliar a polícia do Rio de Janeiro a fiscalizar locais com concentração de jovens como festas rave e micaretas.

 

O equipamento, uma van adaptada com ar-condicionado e geladeira para armazenar amostras de exames, é capaz de realizar um exame clínico no local da abordagem. A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro não informou se o equipamento está em uso.

 

Publicado originalmente em Terra (12/09/2009)


Imprimir este Post  |  Enviar por E-mail

ATENÇÃO: todos os textos publicados no site BRAHA.ORG têm como objetivo servir de fonte de informações técnicas e científicas para consulta e pesquisa de todos aqueles que desejam saber sobre os temas tratados.


Medicina & Saúde »

Políticas de Drogas »

  • EUA: FBI fecha lojas que vendem maconha
    Dez 7, 2011 | Texto completo

    Atualmente há mais lojas vendendo maconha “legal” do que cafeterias de uma famosa rede. Uma equipe de TV conseguiu uma receita para uso de maconha sem comprovar nenhuma doença.

  • Drogas e prevenção: a luta continua
    Nov 30, 2011 | Texto completo

    Segundo a especialista Mina Seinfeld de Carakushansky, a dependência química é uma forma moderna de escravidão, e apenas políticas sérias e equilibradas são capazes de controlar o problema.
    O Relatório Mundial sobre Drogas 2011, divulgado recentemente pela Organização das Nações Unidas em Nova York, mostra que a chamada “guerra contra as drogas” não está perdida. Pelo [...]

  • Ronaldo Laranjeira: “Governo subestima o problema do crack”
    Jun 9, 2011 | Texto completo

    “Achar que a SENAD busca a solução para o crack é uma grande bobagem”, diz Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP

Cultura do Meio Ambiente »