Educação: a sociedade confusa

23 Fevereiro 2002  |  Publicado por Editor BRAHA em Atualidades


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Por Tony Anatrella

No livro “A Diferença Interdita”, recém lançado por Tony Anatrella, psicanalista e padre, fala-se de uma sociedade confusa no que se refere a educação. O autor faz uma análise de nossa sociedade atual, quanto aos comportamentos de violência, sexualidade e educação em geral.

De fato, parece que pais e educadores abriram mão das normas de autoridade, talvez pensando que os filhos e alunos se tornariam mais livres e criativos. O resultado disso tem sido um fracasso. Os jovens ficam sem referências sociais, culturais, morais e religiosas, porque não foram passadas a eles essas noções.

Surgem jovens totalmente livres e sem limites, e pais ansiosos, preocupados, estressados, com filhos fora da escola, fora do mercado de trabalho, meninas com precoce, abortos, e muitas vezes com ocorrências policiais.

A culpa não é dos jovens e nem dos pais, mas esse resultado catastrófico vem de uma sociedade que, desejando ser igualitária, não distingue a criança do adulto. Pai é guia, orientador, legislador. O desdobramento desse princípio é rico para nos mostrar o valor dessa diferença. A criança não nasce pronta.
É através da educação e de referências morais e espirituais que ela cresce como ser humano e como cidadão.

O pior é que os jovens professores de hoje já cresceram nessa sociedade liberal, e seus comportamentos muitas vezes não são boas referências. A educação se faz por atitudes que servem de modelo do que através de técnicas pedagógicas, e na atual mentalidade, os adultos têm dificuldades em representar seu papel de pais e professores. Eles tendem a mostrar-se como indivíduos em pé de igualdade com os adolescentes, o que desvaloriza a relação educativa e o papel dos modelos.

O educador precisa assumir sua função educativa. O adolescente precisa saber que existem parâmetros, a fim de se formar. É preciso indicar limites, que são protetores, evitando riscos com conseqüências muitas vezes irreversíveis. Quando não se usa o limite protetor, a criança e o jovem ficam com a sensação de terem sido abandonados e de não interessarem aos adultos.
As crianças e os jovens não têm o sentidos dos limites e da lei, assim como nem sempre sabem como se conter quando correm o risco de serem dominados por aquilo que experimentam - bebidas, drogas, desonestidades, etc…

O papel do educador é o de ser um guia e um medidor entre o adolescente e o mundo exterior. Não convém agir por ele, nem lhe dizer o que ele deve fazer ou dizer, mas dar-lhe opções boas para que ele escolha e se forme como adulto realizado e responsável. A atitude do adulto não deve ser intransigente, nem se fechar em um autoritarismo limitante, mas deve ser firme ao dizer não ao roubo, a injúria, ao insulto, as agressões contra pessoas e objetos, a experimentação da droga.

O bem e o mal devem ser indicados. O relativismo vigente, em que tudo vale, não ajuda os jovens a se estruturarem, porque não lhes dá o sentido da lei, não os forma como seres humanos dignos e como cidadãos

Essa indicação de caminhos, essa mediação do adulto deve ser feita sempre com amor, paciência, pois crianças e jovens devem sempre estar convencidos de que contam com o interesse, a estima e o amor dos pais.

Fonte: Vera Lucia Lorenzetti Gelás, pedagoga e coordenadora de Amor-Exigente de Marília

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